- Forças conjuntas de Moçambique e Ruanda não conseguiram desalojar insurgentes no Messalo
- Em resposta, os jihadistas expandiram ataques, matando dezenas e provocando milhares de deslocados
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – As forças conjuntas de Moçambique e do Ruanda lançaram em Setembro uma grande operação militar para tentar desalojar os insurgentes jihadistas das suas principais bases nas margens do rio Messalo. Após semanas de intensos combates, a ofensiva fracassou. Em contrapartida, os insurgentes expandiram ataques em vários distritos da província, sem que as forças governamentais conseguissem travá-los em tempo útil.
Segundo fontes militares, a operação arrancou no início de Setembro com bombardeamentos aéreos combinados com combates em terra, tendo como alvo posições de insurgentes na zona de baixo Messalo, que separa os distritos de Muidumbe, Macomia e Mocímboa da Praia.
Esta foi a primeira grande ofensiva militar do Presidente Daniel Chapo, empossado em Janeiro. O objectivo estratégico era apresentar vitórias militares no dia 25 de Setembro, Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), pouco antes da TotalEnergies anunciar a retoma das obras do projecto Mozambique LNG, cuja cerimónia está marcada para esta quinta-feira em Maputo.
Mas, depois de três semanas de operações no Messalo, Chapo discursou no Dia das FADM sem poder anunciar qualquer progresso tangível no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
Apesar do tom festivo da ocasião, o Chefe de Estado limitou-se a repetir recomendações antigas às chefias militares, num discurso em que transpareceu frustração com os fracos resultados.
“Orientamos que os vossos gabinetes de trabalho devem ser, preferencialmente, os teatros operacionais e as trincheiras; desafiámos todos os comandantes a estudarem novas tácticas, técnicas, procedimentos e estratégias de combate ao terrorismo; e orientámos para a troca de informações necessárias entre as três áreas das Forças de Defesa e Segurança”, disse Chapo, entre outras recomendações.
Insurgentes espalham ataques por toda a província
A ofensiva falhada no Messalo levou os insurgentes a dispersar ataques por quase toda a província.
Só em Setembro, foram registadas dezenas de ataques desde Mocímboa da Praia, no norte, até Montepuez, a sudoeste, passando por Balama e Chiúre, no sul. Nos distritos centrais de Muidumbe e Macomia, as incursões foram quase permanentes. No final do mês, os ataques chegaram à vizinha província de Nampula, afectando os distritos de Eráti e Memba, que fazem limite com Cabo Delgado.
Dados compilados ao longo de Setembro indicam que pelo menos 30 civis foram mortos em ataques insurgentes em várias localidades. Em Mocímboa da Praia, dois ataques a 7 e 22 de Setembro no bairro Filipe Nyusi resultaram em pelo menos 10 mortos. Em Macomia, quatro civis foram assassinados na vila-sede. Outros homicídios, pouco reportados, ocorreram em aldeias remotas.
Em Montepuez, os insurgentes atacaram várias localidades durante o mês. Em Mahepe, a 40 quilómetros da sede distrital, queimaram casas e mataram quatro pessoas. Em Nacololo, no posto administrativo de Nairoto, decapitaram um homem sequestrado com a esposa. Em Nantulo houve confrontos com as Forças de Defesa e Segurança, com baixas de ambos os lados. Na aldeia Nicocue, também em Nairoto, quatro civis foram decapitados. Ainda em Nairoto, dois corpos de civis foram encontrados em Uncoane, presumivelmente mortos por insurgentes.
Mais de 13 mil deslocados em Setembro
A expansão dos ataques insurgentes provocou mais de 13 mil deslocados em cerca de 30 dias.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 4.200 pessoas abandonaram as suas comunidades nas duas primeiras semanas de Setembro – 2.100 de Mocímboa da Praia, 1.700 de Muidumbe e 269 de Montepuez.
Outro relatório da OIM, a 16 de Setembro, indicou que mais de 5.700 pessoas foram deslocadas devido a ataques, sobretudo em Mocímboa da Praia (3.200) e Muidumbe (2.200). No dia 23 de Setembro, a organização reportou mais 3.600 deslocados, entre os quais 2.100 de Balama e 1.480 de Mocímboa da Praia. (MT)
















