- Delegação moçambicana reuniu-se com o Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia
- Chapo defende gás natural para o desenvolvimento e não somente para exportação
Por Ricardo Dias
Maputo (MOZTIMES) – O Presidente Daniel Chapo reuniu-se esta terça-feira com as autoridades russas, em Moscovo, para discutir o reforço da cooperação em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Após uma reunião de trabalho com Dmitri Medvedev, Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Daniel Chapo disse aos jornalistas que os dois países reforçaram os laços históricos de amizade e cooperação.
“Estamos aqui para, mais uma vez, estreitar cada vez mais as nossas relações de amizade e cooperação, que são históricas, e expandir, principalmente, as relações económicas e comerciais”, afirmou o chefe de Estado moçambicano.
Chapo lidera a delegação do Governo que participa na 3.ª Cimeira Rússia-África, em Moscovo, a convite do presidente russo, Vladimir Putin. Acompanham Chapo os ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas; dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale; dos Transportes e Logística, João Matlombe; e da Economia, Basílio Muhate.
O facto de Daniel Chapo se ter reunido com o Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia pode sugerir que os dois países tenham discutido a cooperação na área da segurança, sobretudo neste contexto em que Moçambique enfrenta uma ameaça terrorista na região norte devido aos ataques de grupos insurgentes apoiados pelo Estado Islâmico. A Rússia é um dos principais parceiros de Moçambique nos sectores da defesa e segurança, e muitos quadros moçambicanos são formados naquele país.
No passado, a Rússia já destacou uma empresa militar privada, o Grupo Wagner, para ajudar Moçambique a combater a insurgência em Cabo Delgado, mas a missão revelou-se desastrosa, tendo durado apenas cerca de três meses e registado um número considerável de baixas nas fileiras russas. Desde então, o apoio da Rússia a Moçambique tem continuado a concentrar-se na formação e no fornecimento de material bélico.
Gás não somente para exportar, mas para desenvolver Moçambique
Discursando na 8.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás (GECF), em Moscovo, Chapo afirmou que a sua visão é a de que o gás natural da Bacia do Rovuma não deve servir apenas para a exportação, mas também para desenvolver o país.
“Queremos que o gás que sai das profundezas da nossa terra e do nosso mar, particularmente da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, se transforme em energia que ilumina a transformação de Moçambique, trazendo luz às nossas escolas e unidades sanitárias, produzindo fertilizantes que fortalecem a agricultura mundial, movendo fábricas que produzem e gerando empregos para a nossa juventude e mulheres e a agricultura nacional”, afirmou o presidente.
Moçambique espera produzir cerca de 35 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, quando os dois grandes projectos da Bacia do Rovuma, o Moçambique LNG e o Rovuma LNG, estiverem a produzir à sua plena capacidade, após 2030. A legislação moçambicana do sector dos hidrocarbonetos estabelece que cerca de 25% de toda a produção da Bacia do Rovuma deverá ser destinada ao mercado doméstico, constituindo, por isso, uma oportunidade para usar o gás na industrialização nacional.
Chapo repetiu o seu discurso de que pretende transformar a economia moçambicana, predominantemente assente na extracção e exportação de recursos naturais, numa economia que transforma esses recursos em valor acrescentado, industrialização e soberania económica.
A visita de Chapo à Rússia termina esta quinta-feira, 29. (RD)














