- Insurgentes voltam a decapitar pessoas encontradas a produzir bebidas alcoólicas tradicionais
- Estado Islâmico reivindica assassinato de 14 pessoas na semana passada nos dois distritos predominantemente Makonde
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Pelo menos cinco pessoas foram decapitadas por insurgentes jihadistas entre sexta-feira e sábado, em machambas localizadas nas zonas baixas dos distritos de Muidumbe e Mueda, em Cabo Delgado.
Residentes de Mueda, que contactaram os seus familiares na cidade de Pemba este sábado, disseram que duas pessoas foram decapitadas na manhã do mesmo dia, pouco depois de chegarem às suas machambas. As vítimas eram residentes da aldeia Agrícola, situada a poucos quilómetros da aldeia de Namaua, terra natal do antigo Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.
Segundo relatos de moradores, as duas pessoas haviam-se deslocado às machambas, nas zonas baixas, para trabalhar.
Já no distrito de Muidumbe, residentes disseram ao MOZTIMES que outras três pessoas foram decapitadas numa zona baixa pertencente à aldeia de Muatide. Mueda e Muidumbe são distritos considerados a terra dos Makonde de Moçambique.
Segundo as mesmas fontes, as três vítimas foram encontradas pelos insurgentes jihadistas na sexta-feira, enquanto produziam bebida alcoólica à base de cana-de-açúcar, que abunda na região. O fabrico de aguardente, localmente conhecida por nipa, é uma fonte tradicional de rendimento das comunidades rurais de Cabo Delgado, sobretudo entre os Makonde.
Os insurgentes jihadistas consideram a produção, a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas haram (proibidos pelo Islão) e punem estas práticas com a morte por decapitação.
Entretanto, neste domingo, o Estado Islâmico (EI) reivindicou, através dos seus canais de propaganda, o assassinato de 13 pessoas ao longo da semana passada nos distritos de Muidumbe e Mueda. Como é habitual, o grupo descreveu as vítimas como cristãos. Nas várias publicações que divulgou, o EI afirmou ter assassinado sete cristãos na aldeia de Saba Saba, no distrito de Muidumbe, e mais três pessoas na aldeia de Matambalale, também em Muidumbe. As outras quatro pessoas, segundo as publicações do EI, foram assassinadas pelos insurgentes em aldeias do distrito de Mueda, incluindo Namaua.
O MOZTIMES não conseguiu verificar de forma independente estes relatos, tendo apenas confirmado o assassinato das cinco pessoas já referidas. No entanto, uma página denominada Makone Mídia, que habitualmente publica informações sobre Cabo Delgado, refere que, nos últimos dias, os insurgentes assassinaram 21 pessoas nas machambas de Muidumbe e Mueda.
A presença das Forças de Defesa e Segurança nas zonas baixas de Muidumbe e Mueda é descrita pelas populações locais como muito reduzida ou quase inexistente, o que permite uma maior circulação dos insurgentes. Apesar do risco de ataques, as populações continuam a deslocar-se a estas áreas em busca de alimentos.
Há cerca de duas semana, os insurgentes mataram duas pessoas do sexo masculino e raptaram outras no distrito de Muidumbe. As duas vítimas encontravam-se nas suas hortas, nas zonas baixas de Miteda, na manhã de quarta-feira, 21 de Outubro.
Na ocasião, os insurgentes raptaram as mulheres que acompanhavam as vítimas. Estas foram mantidas em cativeiro e, mais tarde, postas em liberdade após o pagamento de um resgate de 25 mil meticais, disseram fontes locais ao MOZTIMES.
No mesmo dia, os insurgentes escalaram a zona de produção conhecida por Saba Saba, onde também raptaram algumas pessoas que se encontravam nas suas machambas.
Em Setembro, os insurgentes realizaram vários ataques no distrito de Muidumbe. A população tem manifestado preocupação com a ausência das Forças de Defesa e Segurança, acusando as forças do Governo de estarem concentradas nos distritos de Palma e Mocímboa da Praia para proteger os projectos de exploração de gás natural. (MT)















