Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Centenas de pescadores no distrito de Macomia, no centro de Cabo Delgado, estão impedidos de exercer a sua actividade devido às patrulhas constantes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) ao longo da costa.
A medida, que visa reforçar o controlo marítimo face à crescente circulação de insurgentes na região, está a afectar gravemente a subsistência da população local, cuja principal fonte de rendimento é a pesca.
Moradores de aldeias costeiras relataram ao MOZTIMES que os militares tratam qualquer embarcação como potencial ameaça, sobretudo nas zonas a norte de Macomia, onde já houve registo de civis mortos em operações militares anteriores. “Quando nos fazemos ao mar, somos tratados como alvos”, disse um pescador sob anonimato.
Os pescadores chegaram a denunciar a violência das FADM às forças ruandesas em Mucojo-sede, vistas localmente como mais próximas da população, mas a situação mantém-se inalterada, aumentando a frustração. Muitos temem que a insegurança e a dificuldade de acesso ao mar possam forçá-los a regressar às zonas de onde tinham fugido devido ao conflito.
Segundo outra fonte, o problema não se limita a Macomia. Em Mocímboa da Praia, pescadores também enfrentam restrições, sobretudo durante a pesca nocturna.
No último fim-de-semana, a tensão agravou-se após confrontos entre FDS e insurgentes na ilha de Quilhanhune. Tropas moçambicanas que patrulhavam a costa tentaram escalar a ilha, mas foram recebidas a tiro e acabaram por recuar, assegurou a fonte.
Há ainda relatos de insurgentes que saíram dos arredores do rio Messalo para vender hortícolas cultivadas nas margens do rio aos residentes da ilha de Quilhanhune.
A cobrança de taxas (extorsões) a pescadores é também tida como uma das principais fontes de financiamento dos insurgentes em Cabo Delgado. (MT)
















