- Líder da oposição diz que nunca vai usar meios violentos
- Pela primeira vez, Presidente Nyusi apela ao diálogo entre os candidatos presidenciais
Por António Cumbane
Maputo (MOZTIMES) - O candidato presidencial Venâncio Mondlane diz nunca ter ordenado manifestações violentas em repúdio à fraude eleitoral nas eleições de 9 de Outubro, nas quais ficou em segundo lugar atrás do candidato da Frelimo, partido no poder há quase 50 anos.
Mondlane convocou protestos para os seus apoiantes repudiarem a fraude eleitoral que, em muitos casos, degeneraram em violência popular, confrontos com a polícia, assaltos a esquadras da Polícia e a outras instituições públicas, incêndios a viaturas de instituições públicas e saque a lojas.
O Ministério Público anunciou ter iniciado um processo cível para exigir uma indemnização de 32 milhões de meticais a Mondlane e ao partido que suporta a sua candidatura, o PODEMOS.
"Fomos violentados pela Polícia, fomos mortos pela Polícia, fomos detidos pela Polícia e fomos sequestrados pela Polícia, mas em nenhum momento saiu qualquer instrução em privado ou em público para pautar pela violência”, disse Mondlane através de uma live na sua conta de Facebook ,esta terça-feira. “Isto tem que ficar claro para toda a gente. Nunca vamos usar meios violentos para conseguirmos qualquer evento", acrescentou.
Mondlane pediu ainda, na sua live, três dias de luto nacional, a partir quarta-feira, em memória das vítimas mortais, baleadas pela Polícia, nestas manifestações. Segundo grupos domésticos de observação eleitoral, mais de 30 pessoas morreram durantes estes protestos.
Nyusi apela ao diálogo entre os candidatos presidenciais
Ainda nesta terça-feira, o Presidente Filipe Nyusi fez uma comunicação à nação, condenando a violência durante as manifestações populares contra os resultados eleitorais e, pela primeira vez, apelou aos quatro candidatos presidenciais para dialogarem para o reestabelecimento da ordem social.
Garantiu ainda que as forças de defesa e segurança estão a trabalhar para garantir a tranquilidade mas alertou que o alastramento dos protestos violentos pode levar o país ao caos. Deu exemplo do que se vive em Cabo Delgado, onde uma insurgência jihadista dura há mais de sete anos e já causou a morte de mais de 5 mil pessoas e cerca de um milhão de deslocados internos.
“Fazemos um apelo em nome da vida, em nome da paz e do diálogo, fazemos um apelo a privilegiar o uso de contenção e de uma intervenção não violenta", disse Nyusi. (AC)















