Por Paul Fauvet, em Addis Abeba
Addis Abeba (MOZTIMES) – A Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, reunida em Addis Abeba, elegeu na sexta-feira o Presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, como presidente da União Africana para 2026, sucedendo ao Presidente angolano, João Lourenço.
Lourenço procedeu à abertura oficial da cimeira, apelando à aceleração de acções para garantir a disponibilidade sustentável de água e sistemas seguros de saneamento, tema da União Africana para 2026. Descreveu o acesso à água como uma prioridade política, moral e estratégica, essencial para o desenvolvimento de África, a saúde pública, a segurança alimentar e a estabilidade.
Fazendo um balanço do ano de Angola à frente da presidência da União Africana, Lourenço destacou progressos na implementação da Agenda 2063, na mobilização de investimentos para infra-estruturas, no reforço da integração continental através da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) e na promoção de reformas destinadas a melhorar a eficiência da União Africana e reduzir a burocracia.
No domínio da paz e segurança, sublinhou que o desenvolvimento de África depende de “silenciar as armas” e de enfrentar os conflitos em curso, particularmente no Sudão e na República Democrática do Congo, bem como de combater o terrorismo no Sahel e no Corno de África. Reiterou a rejeição, por parte da União Africana, de mudanças inconstitucionais de governo e advertiu contra a legitimação de golpes de Estado através de eleições subsequentes.
Concluiu instando os líderes africanos a adoptarem compromissos mensuráveis que produzam resultados concretos para os cidadãos e reforcem uma África resiliente, integrada e próspera, alinhada com a Agenda 2063.
Intervindo na cimeira, o Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, enquadrou o encontro no tema de 2026 sobre água e saneamento, descrevendo o acesso à água como um bem colectivo que deve promover simultaneamente o desenvolvimento e a paz. Sublinhou que a reunião decorre num momento de crescente turbulência geopolítica, com conflitos persistentes, fragilidade institucional e ressurgimento de mudanças inconstitucionais de governo em várias partes do continente.
Num contexto de enfraquecimento do multilateralismo e aumento da polarização global, Youssouf instou os Estados-membros a acelerarem a integração política e económica sob a visão orientadora da Agenda 2063.
Defendeu igualmente que a reforma institucional e a auto-suficiência financeira se tornaram imperativas face à redução do financiamento externo. Apelou a uma maior mobilização de recursos internos e à implementação mais célere dos programas emblemáticos continentais, nomeadamente a industrialização, a transformação agrícola, o desenvolvimento energético e a expansão das infra-estruturas, que classificou como condições essenciais para um crescimento sustentável.
O Presidente da Comissão concluiu manifestando solidariedade com as populações afectadas por conflitos, citando as crises no Sudão, no Sahel, no leste da República Democrática do Congo e na Somália, bem como o sofrimento do povo palestiniano. Reafirmou que o respeito pelo direito internacional e pelo direito humanitário permanece fundamental para a paz global e apelou a uma acção colectiva determinada para assegurar uma África mais forte, autónoma e próspera. (PF)















