- Líder da oposição acusa Chefe do Estado e sua equipa de recusarem assinar actas das decisões tomadas durante dois encontros em Maputo
Por Sheila Nhancale e Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – O líder da oposição, Venâncio Mondlane, afirmou, em resposta a questões do MOZTIMES, que Daniel Chapo faltou à verdade ao negar a existência de consensos alcançados nos dois encontros de diálogo recentemente realizados entre as partes, em Maputo.
Mondlane explicou que, nos encontros realizados a 23 de Março e 20 de Maio de 2025, as partes chegaram a consensos em quatro pontos, incluindo a “libertação de todos quantos se encontrassem na situação de detidos no âmbito das manifestações [pós-eleitorais]”.
Outros pontos acordados são, segundo Mondlane, a cessação de todo o tipo de violência de parte a parte; assistência gratuita, no Sistema Nacional de Saúde, a todos os feridos no âmbito das manifestações; e assistência às famílias das vítimas mortais (civis e de polícias) das manifestações.
As declarações de Mondlane surgem na sequência da recente entrevista do Presidente Daniel Chapo a um órgão de comunicação social português, na qual negou qualquer acordo com o líder da oposição.
“No primeiro encontro, realizado no Centro de Conferências Joaquim Chissano, fui eu quem propôs os quatro pontos que mereceram consenso, tendo o próprio Presidente Chapo feito o resumo final, na presença dos facilitadores”, afirmou Mondlane.
Entre os facilitadores, contou Mondlane, estiveram Severino Ngoenha, Luís Bernardo Honwana, Narciso Matos, Carlos Martins, Tomás Timbane, Óscar Monteiro e Thera Tobias Dai.
“No segundo encontro, revisitaram-se estes pontos, havendo consenso, e acrescentou-se o tema da ‘constituição do partido político de VM’”, referiu. “Houve consensos, testemunhados pelos facilitadores acima indicados, sendo que, desta vez, estava mais um elemento: Teodato Hunguana”, acrescentou Mondlane.
O líder da oposição explicou ainda que foram indicados Dinis Tivane, da sua parte, e o advogado Ericino de Salema, em representação do Presidente Daniel Chapo, “para operacionalizar os agendamentos e passos subsequentes”.
Entretanto, o Chefe de Estado negou publicamente a existência de consensos ou acordos, primeiro em declarações a meios moçambicanos e, mais recentemente, na entrevista à CNN Portugal, onde afirmou que “com Venâncio Mondlane não há nenhum acordo. E onde não há acordo, não há nada a cumprir”.
Chapo limitou-se a reconhecer que “houve encontros”, mas sem carácter formal, e declarou que as reuniões tinham como propósito “pacificar o país” e combater o “discurso de ódio”.
“Um dos assuntos que a contraparte nunca quis concretizar foi a assinatura das actas e das sínteses desses consensos. Foram sempre esquivos e protelaram ciclicamente esse acto”, afirmou, por sua vez, o líder da oposição. Recordou, no entanto, que “estavam testemunhas, para que se fizesse fé ao que foi falado e acordado”.
A discordância pública entre os dois principais líderes políticos do país pode revelar a falta de honestidade no processo de diálogo para a pacificação de Moçambique, que ainda sofre as consequências da violência pós-eleitoral, a qual resultou em cerca de 380 mortos, mais de mil feridos, incluindo dezenas de agentes da Polícia, e milhares de detidos, a maioria ainda encarcerada. (SN/NM)















