- Membros das comunidades invadiram as instalações da empresa e assassinaram dois agentes da Polícia afectos à segurança da subsidiária da Gemfiled
- A empresa suspeita que os autores pertencem a um sindicato de mineração ilegal activo na região
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Dois agentes da Polícia foram mortos a tiro esta quarta-feira nas instalações da maior empresa mundial de produção de rubis, a Montepuez Ruby Mining (MRM), localizada no sul da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
O assassinato ocorreu durante uma invasão às instalações da MRM por membros da comunidade local que, aparentemente, reagiam à violência policial registada numa aldeia próxima.
Segundo fontes locais, o conflito começou na quarta-feira, quando os Serviços Distritais de Migração de Montepuez realizaram uma operação na aldeia de Nsewe para neutralizar cidadãos estrangeiros suspeitos de envolvimento em actividades de mineração ilegal. Durante a operação, as autoridades balearam mortalmente um membro da comunidade. Em resposta, populares marcharam até às instalações da MRM, empresa que detém uma concessão de cerca de 35 mil hectares para extracção de rubis. Trata-se da maior mina de rubis do mundo, detida em 75% pela Gemfields, com sede em Londres.
Por volta das 10h00 da mesma quarta-feira, um grupo de mais de 40 pessoas concentrou-se em frente ao portão principal da MRM, transportando o corpo da vítima baleada pela Polícia.
A multidão forçou a entrada na concessão, subjugou dois agentes da Polícia destacados para garantir a segurança e apoderou-se das suas armas. Segundo fontes da empresa, um dos indivíduos, demonstrando conhecimento no manuseio de armas de fogo, alvejou mortalmente o agente da Força de Proteção de Recursos Naturais, Elísio Selemane, e, de seguida, atingiu o agente da Força de Intervenção Rápida, Renato Agostinho. Ambos morreram no local.
Após o ataque, o grupo retirou-se em direcção à aldeia de Nsewe, levando consigo as armas dos dois agentes assassinados. Equipas de reforço e uma ambulância da empresa chegaram posteriormente ao local, mas já não foi possível prestar socorro.
Fontes da MRM confirmaram ao MOZTIMES que todo o incidente foi registado pelos drones de vigilância da empresa. Em comunicado emitido esta quinta-feira, a MRM referiu que, embora o ataque possa inicialmente parecer uma manifestação popular, há indícios de uma acção coordenada com possíveis ligações à mineração ilegal.
“A presença de indivíduos armados e treinados, infiltrados entre a população, reforça a hipótese de actuação de um grupo criminoso organizado, com capacidade e disposição para atacar até agentes da autoridade devidamente fardados”, lê-se num documento da empresa visto pelo MOZTIMES.
A violência na concessão mineira da MRM é frequente, e há suspeitas de que os mineradores ilegais são financiados por redes de crime organizado transnacional. (MT)















