- Membros das comunidades locais dizem que a exploração mineira não está a gerar benefícios nas suas vidas. Negociações estão em curso entre a empresa, as comunidades e o governo local
Victor Assane, em Balama
Balama (MOZTIMES) – A exploração de grafite na mina operada pela Twigg Exploration and Mining, em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, está interrompida há três semanas, devido à revolta da população, que acusa a empresa de incumprimento de promessas de desenvolvimento local. A Twigg Exploration and Mining é subsidiária da australiana Suryah Resources e tem acordo de venda de grafite para a Tesla, matéria prima usada para o fabrico de carros eléctricos.
Numa carta endereçada à TWIGG e ao governo distrital de Balama, onde está localizada a mina de grafite, os camponeses, provenientes das aldeias de Balama-sede, Nende, Ntete e Pirira, exigem compensações pelas suas terras, que lhes foram retiradas para serem concessionadas à empresa de exploração de grafite. Reivindicam, também, o acesso ao trabalho, para os seus filhos, na empresa de mineração.
“Disseram-nos que ‘vamos construir casas e escolas, e custear os estudos dos vossos filhos’. Nada disto foi feito e já não mencionam nada disto”, disse, em entrevista, Mualia, régulo e representante dos camponeses em litígio com a empresa de exploração de grafite.
Na carta dirigida ao Governo, os camponeses de Balama argumentam que “a empresa tem a obrigação de promover o desenvolvimento na área da concessão mineira, afim de melhorar o bem-estar geral das populações das comunidades de acolhimento circunvizinhas”, mas, que nada disto está a acontecer.
Citam, ainda, os camponeses, um acordo de desenvolvimento comunitário, que foi assinado a 06 de Julho de 2017, com a duração de 05 anos, que também não foi cumprido.
António Massangai, membro do Núcleo para o Desenvolvimento Comunitário de Cabo Delgado, disse, em entrevista, que a sua associação está engajada no apoio ao processo de negociação de uma resolução pacífica do diferendo. “A população está ciente de que a manifestação é um direito constitucional e está a fazer o uso do mesmo. Tudo está a decorrer de forma ordeira”, afirmou.
Projectos mineiros não beneficiam as comunidades
Rui Mate, pesquisador do sector extractivo no think tank Centro de Integridade Pública (CIP), baseado em Maputo, disse que a paralisação de actividades na mina de grafite em Balama é um alerta de que os benefícios de exploração mineira devem chegar às comunidades hospedeiras dos projectos de mineração.
“Se as comunidades desfrutarem dos benefícios da exploração mineira, coisas destas não vão ocorrer”, disse Mate em entrevista. “Enquanto continuarmos com a situação em que só exploramos os recursos naturais e os exportamos de forma bruta, nós vamos continuar a ter benefícios muito reduzidos e esses benefícios muito reduzidos não vão conseguir gerar mudanças positivas na vida das comunidades”, adicionou.
A empresa Twigg Exploration and Mining não aceitou falar a jornalistas em Balama.
A exploração de minério verde em Moçambique é relativamente nova, e faz parte dos objectivos do milénio, de migrar completamente para fontes de energias mais limpas. Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou um acordo de expansão da mina de grafite da TWIGG em Balama. (VA)
















