- Ataques estão a atingir alvos mais complexos, mostrando ousadia dos jihadistas
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Os insurgentes intensificaram as suas acções no Norte de Moçambique, com dois ataques registados nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, tendo como alvos as Forças de Defesa do Ruanda e um investimento turístico de capitais sul-africanos.
No ataque mais recente, ocorrido na madrugada de sábado, 3 de Maio, três militares das Forças de Defesa do Ruanda foram mortos e outros nove ficaram feridos na sequência de um confronto com insurgentes na aldeia de Ntotwe, distrito de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado.
O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico através dos seus canais de propaganda, tendo sido divulgadas raras imagens dos corpos de soldados ruandeses mortos em Cabo Delgado.
Segundo fontes locais, o ataque teve início por volta das 2 horas da madrugada, quando um grupo de insurgentes entrou na aldeia. As forças ruandesas destacadas na região tentaram responder à ofensiva, mas foram surpreendidas em emboscada fatal.
Durante a incursão, os insurgentes arrombaram portas de várias lojas de pequenos comerciantes locais e saquearam mantimentos e outros bens. Para além do saque, raptaram uma menor de 14 anos de idade, residente na aldeia, conforme relataram os moradores ao administrador distrital, Sérgio Cipriano, durante a sua visita ao local após o incidente.
Fontes locais revelaram ainda que, durante o confronto, os insurgentes apoderaram-se de duas armas do tipo RPG-7, pertencentes às forças ruandesas.
Poucos dias antes do ataque em Cabo Delgado, um grupo de cerca de 40 insurgentes invadiu a área de caça da empresa Kambako Safaris, dentro da Reserva Especial do Niassa, no limite com Cabo Delgado. A acção ocorreu a 19 de Abril e resultou na morte de dois trabalhadores, que terão sido baleados e depois decapitados. Outros quatro colaboradores da estância foram feitos reféns, tendo os insurgentes exigido um resgate de três milhões de meticais – pedido que foi recusado pelos gestores do acampamento.
Perante a recusa, os atacantes incendiaram o acampamento principal, destruindo instalações, viaturas, combustível, alimentos e equipamento essencial para a época de caça que se avizinhava.
Os insurgentes, que têm vindo a aumentar a frequência dos ataques nos últimos meses ao longo das aldeias de Cabo Delgado, mostram-se agora mais ousados, atacando alvos mais complexos, o que eleva o nível da ameaça terrorista no Norte de Moçambique. (MT)
















