- As ocorrências são múltiplas e atingem todos os sexos e idade e vão desde física, sexual, uniões forçadas e psicológica.
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES)- Mais de 200 mil casos de violência baseada no género foram registados em Moçambique no período de 2015-2024.
De acordo com o Observatório das Mulheres, os dados representam um total de casos relacionados com violência doméstica no género (homem/mulher) e na categoria da vítima (criança, adulto e pessoa idosa).
De acordo com a directora executiva da Rede de Comunicadores Amigos da Criança (RECAC), Célia Claudina, uma em cada três mulheres sofrem qualquer forma de atrocidade. E, a violência contra a mulher e a rapariga atinge grandes proporções que atentam contra a liberdade das mulheres.
“Em Moçambique, a violência contra a mulher e rapariga atinge grandes proporções e diversas formas, sendo as mais comuns a agressão física, a violência sexual, uniões forçadas e outras formas que atentam contra a liberdade e autonomia de mulheres e raparigas”, disse. Acrescentou ainda ser uma realidade que deixa marcas profundas, atingindo a integridade física e psicológica da vítima.
No período de 2015- 2023, no Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, da Polícia da Republica de Moçambique, foram atendidos 202.430 casos de violência baseada no género, em todo o país. A violência afectou homens e mulheres e impactou em pessoas de todas as idades: crianças, adultos e idosos.
No primeiro trimestre de 2024, dos 116 casos documentados e analisados, 29.8% são de assassinato de mulheres, 16.7% de desaparecimento, que não raras vezes resultaram também em morte, e 14.9% de violação sexual.
Sentimentalismo e cultura retarda a resolução de conflitos
A directora executiva da Rede de Comunicadores Amigos da Criança (RECAC), Célia Claudina, explicou que os casos de violência baseadas no género são passionais e muitas vezes as vítimas desistem de prosseguir com a queixa o que retarda a resolução destes assuntos no país.
“Por se tratar de casos que envolvem sentimentos e mistura de emoções, em algum momento a vítima deixa de dizer o que aconteceu porque já está com pena do suposto marido ou por causa da pressão da família. Esta é uma situação volátil que retrocede a resolução desses casos”, disse.
“Muitas vezes, as vítimas não podem ter os seus problemas resolvidos porque não reúnem provas suficientes para que o sistema de justiça possa agir efetivamente e vários opressores chegam a ser soltos por insuficiência de provas”, referiu Claudina. (NM)
















