- Cerca de um milhão de pessoas em tratamento de HIV/SIDA dependem da ajuda dos EUA
Por Ricardo Dias
Maputo (MOZTIMES) – O governo norte-americano investe, anualmente, em Moçambique, pelo menos mil milhões de dólares, maioritariamente destinados a sectores sociais como saúde, educação, saneamento, agricultura e resposta a desastres naturais. Com o congelamento da ajuda anunciado pelo Presidente Donald Trump, o sector da saúde será o mais afectado.
O programa de combate ao HIV/SIDA, por exemplo, recebe anualmente cerca de 400 milhões de dólares dos EUA. Nos últimos 20 anos, os Estados Unidos investiram 5,2 mil milhões de dólares no combate ao HIV, segundo dados do Governo moçambicano.
De acordo com a Primeira-Ministra, Benvinda Levy, outros sectores que também recebem apoios significativos irão ressentir-se do congelamento da ajuda.
Levy afirmou que o Governo de Moçambique terá de reposicionar os seus recursos financeiros para compensar a suspensão dos fundos norte-americanos, destinados especialmente às áreas sociais.
“É um grande desafio, porque o apoio dos EUA é importante, particularmente nas áreas sociais”, afirmou a Primeira-Ministra esta segunda-feira. “Teremos de reavaliar os nossos recursos e ver como podemos redireccioná-los para essas áreas, de modo a garantir que continuem a operar minimamente”, explicou.
Benvinda Levy falava em Maputo, à margem do evento de empossamento do novo Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, realizado no gabinete do Presidente da República.
O governo norte-americano decretou, com efeitos imediatos, o congelamento global da ajuda por um período de 90 dias. A decisão tem um impacto devastador em várias nações, uma vez que os EUA são, consistentemente, o maior doador humanitário do mundo. Em Moçambique, cerca de um milhão de pessoas em tratamento de HIV/SIDA dependem directamente da ajuda norte-americana.
A medida afecta também os 500 milhões de dólares destinados ao programa denominado “Compacto II”, do Millennium Challenge Corporation, que prevê o financiamento de infra-estruturas na província da Zambézia, uma das mais populosas e carenciadas do país. (RD)















