- Todos os membros do Governo são figuras do partido no poder ou funcionários públicos
- Ainda falta nomear o Ministro da Justiça
Por Ricardo Dias
Maputo (MOZ TIMES) – Doze dias após a sua posse, o Presidente Daniel Chapo anunciou mais seis nomes para compor o seu governo. As nomeações estão a ser feitas a conta-gotas, faltando ainda o Ministro da Justiça por designar.
A expectativa de que membros da oposição ou da sociedade civil pudessem integrar o Governo central caiu por terra. Todos os nomeados para os cargos ministeriais são, ou destacados membros da Frelimo, o partido no poder, ou técnicos provenientes da função pública.
Entre os recém-nomeados, destaca-se Nyelete Mondlane, filha do primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, que irá liderar o Ministério dos Combatentes. Caifadine Paulo Manasse, antigo porta-voz da Frelimo, foi indicado para Ministro da Juventude e Desportos. Outros nomeados, sem trajectória política evidente, incluem: Samaria Tovela, Ministra da Educação e Cultura; Ivete Alane, Ministra do Trabalho, Género e Acção Social; Fernando Rafael, Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos; e Ricardo Sengo, Ministro na Presidência para os Assuntos da Casa Civil.
Ricardo Sengo, considerado um amigo próximo de Daniel Chapo, é empresário com várias empresas registadas em seu nome, actuando nos sectores mineiro (Stratum, Sociedade Mineira), exportação e distribuição de combustíveis (Prime Gas, Limitada), transporte, agricultura, habitação, saúde e turismo (Guma Investimentos, Limitada).
Ainda permanece vaga a pasta do Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. Com estas nomeações, a equipa de Daniel Chapo passa a contar com 18 ministros, juntando-se aos 12 que foram designados a 17 de Janeiro.
Diálogo com a oposição continua
As nomeações desta segunda-feira confirmam que Daniel Chapo não irá incluir membros da oposição no seu governo. Ainda assim, o Presidente da República realizou mais uma ronda de diálogo com líderes de quatro partidos políticos (PODEMOS, Renamo, MDM e Nova Democracia), excluindo, porém, o candidato presidencial Venâncio Mondlane, que foi o segundo mais votado nas eleições de Outubro, de acordo com os resultados oficiais.
O diálogo foi iniciado por Filipe Nyusi, quando Venâncio Mondlane estava exilado fora do país. Desde o seu regresso a Moçambique, no início de Janeiro, Mondlane manifestou disponibilidade para integrar as negociações, mas continua excluído. Segundo Ana Rita Sithole, membro sénior da Frelimo, em entrevista ao MOZCAAST, o partido considera como oposição apenas os partidos com assento parlamentar, e não candidatos presidenciais, mesmo aqueles que obtiveram o segundo maior número de votos.
O conteúdo das negociações entre os partidos políticos e Daniel Chapo não foi tornado público. (RD)















