- ACLED reporta casos de civis deliberadamente assassinados por militares da Marinha de Guerra de Moçambique, em Macomia
- Porta-voz das FADM nega ordens para retirada da população das aldeias costeiras onde decorrem operações contra a insurgência
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Corpos de pescadores supostamente assassinados por militares moçambicanos deram à costa em aldeias de Mocímboa da Praia, naquilo que é descrito como a mais recente vaga de violência deliberada contra civis cometida por elementos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
De acordo com a mais recente edição da publicação Cabo Ligado, da Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), no dia 5 de Julho, unidades da Marinha de Guerra de Moçambique dispararam contra três embarcações de pesca, matando três civis e ferindo outros quatro. Entre os dias 8 e 9 de Julho, novas acções da Marinha moçambicana terão resultado na morte de mais três civis. Alguns dos corpos foram encontrados nas praias de Nabaje, Calugo e Ulo, todas no distrito de Mocímboa da Praia, lê-se no relatório.
A ACLED refere que, desde 2020, pelo menos 110 pescadores terão sido mortos por forças militares moçambicanas em incidentes similares.
Os pescadores são frequentemente acusados de colaborar com os insurgentes ou de facilitar movimentações do grupo Estado Islâmico Moçambique (ISM), que tem recorrido a barcos de pesca para transportar combatentes e armamento.
Fontes locais disseram ao MOZTIMES que, no dia 7 de Julho, militares da Marinha de Guerra, estacionados no Posto Administrativo de Quiterajo, distrito de Macomia, ordenaram verbalmente aos pescadores das aldeias de Milamba e Pequeué que abandonassem a costa, alegando que estavam a interferir nas operações contra os insurgentes.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram pescadores a denunciar ataques de militares moçambicanos contra colegas que terão sido alvejados enquanto se encontravam a pescar. Num dos vídeos, um sobrevivente afirma: “Eles dispararam sem aviso. Estávamos só a lançar as redes.”
Os incidentes ocorreram em zonas onde os insurgentes mantêm presença activa e onde os confrontos com as FADM se intensificaram nas últimas semanas. Em Maio deste ano, insurgentes armados atacaram um navio de investigação oceanográfica russo ao largo da ilha de Tambuzi, utilizando embarcações típicas da pesca artesanal.
Um porta-voz das Forças Armadas de Defesa de Moçambique negou que tenham ocorrido operações contra pescadores ou que os militares tenham instruído populações das aldeias costeiras de Macomia a abandonar as suas residências por se situarem em áreas de operações militares.
Em entrevista telefónica ao MOZTIMES, o Chefe de Relações Públicas do Estado-Maior General das FADM, Tenente-Coronel Pedro António, afirmou que a instituição tomou conhecimento dos relatos através das redes sociais e está em processo de averiguação.
“Tomámos conhecimento pelas redes sociais e estamos a averiguar os factos. Ainda não sabemos ao certo como tudo aconteceu. No teatro operacional há muita confusão. Para a população, todos são ‘militares’, sejam das Forças Armadas ou da Polícia”, disse Pedro António. (MT)
















