- A vítima era acusada de participar no desaparecimento forçado de três jovens locais
- A população invadiu o posto policial onde a vítima era interrogada e retirou-a à força para assassiná-la
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Um membro da milícia étnica Força Local, afecto na posição da aldeia Mbonge, distrito de Ancuabe, foi espancado e queimado vivo na manhã de quarta-feira, 26, pela população furiosa, após alegadamente se confirmar que teria participado no desaparecimento forçado de três jovens operadores de mototáxi daquela região.
O linchamento ocorreu a poucos metros do posto policial de Metoro-sede, e os agentes da Polícia não conseguiram salvar a vítima, que estava sob interrogatório quando foi retirada à força pela população.
Segundo fontes locais, dias antes, três jovens operadores de mototáxi desapareceram na aldeia de Metoro, sem deixar rasto. As forças de defesa e segurança suspeitam que alguns mototaxistas sejam colaboradores ou trabalhadores dos insurgentes, facto que tem alimentado tensões entre as partes.
Na manhã de terça-feira, um familiar de um dos jovens desaparecidos viu alguém a circular numa motorizada que disse ser a do seu parente. Já na quarta-feira, a população conseguiu localizar o homem que usava a motorizada suspeita. Durante a interrogação, o indivíduo terá afirmado que a mota lhe fora entregue por um tio, membro da milícia Força Local, residente na aldeia Mbonge.
Mbonge é uma aldeia habitada maioritariamente por população de etnia Maconde, no distrito de Ancuabe, onde predomina a etnia Macua. As relações étnicas em Cabo Delgado são historicamente marcadas por tensões, agravadas pela insurgência. Os Maconde, tradicionalmente ligados ao poder político e militar, criaram a sua própria milícia, a Força Local, para se defenderem dos insurgentes. Os seus membros têm sido acusados de cometer atrocidades contra populações de outros grupos étnicos, nomeadamente Macua e Mwani.
O membro da Força Local foi depois chamado ao posto policial de Metoro para esclarecimentos sobre a motorizada que estava na posse do seu familiar. Após vários interrogatórios, e na presença de familiares dos mototaxistas desaparecidos, ele terá admitido que os jovens foram mortos por elementos da Força Local e que assistiu ao assassinato. Nesse momento, a população, enfurecida, começou a agredir o suspeito, mesmo diante da Polícia. Os agentes tentaram dispersar a multidão com disparos para o ar, mas não conseguiram conter a fúria popular. A vítima foi espancada e queimada viva.
Um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais mostra a população a lançar objectos contundentes sobre a vítima, antes de a queimar ainda viva, à berma da Estrada Nacional Número 14, que liga Pemba a Montepuez. (MT)















