Por Paul Fauvet
Maputo (MOZTIMES) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, espera que Moçambique possa aprender com o Uganda no combate ao terrorismo islamista na província nortenha de Cabo Delgado.
Chapo falava esta terça-feira, em Kampala, onde participou na cerimónia de tomada de posse de Yoweri Museveni para o seu sétimo mandato como Presidente do Uganda.
Existe uma aliança histórica entre Moçambique e o Uganda, que remonta à década de 1970, quando revolucionários ugandeses, liderados por Museveni, combatiam a ditadura de Idi Amin. Museveni recebeu treino militar de instrutores moçambicanos em Montepuez, na província de Cabo Delgado.
Museveni criou a Frente Nacional de Salvação que, em aliança com forças tanzanianas e moçambicanas, derrubou Amin. O regime que se seguiu, liderado por Milton Obote, teve curta duração. Em 1986, Museveni, então à frente do Movimento de Resistência Nacional, derrotou Obote, tomou Kampala e tornou-se presidente.
“O Uganda tem vasta experiência no combate ao terrorismo”, declarou Chapo. “O Presidente Museveni conhece profundamente Cabo Delgado e Moçambique considera o Uganda um parceiro importante no enfrentamento do terrorismo que afecta esta província”.
“A nossa relação com o Uganda é histórica”, continuou. “Os primeiros 80 combatentes da luta de libertação ugandesa foram treinados em Moçambique, incluindo o Presidente Museveni. Ele possui um conhecimento profundo da província de Cabo Delgado, particularmente do distrito de Montepuez, onde recebeu treino militar durante a luta armada ugandesa”.
Chapo apelou igualmente ao aprofundamento da cooperação económica entre Moçambique e o Uganda.
Tendo em conta os laços históricos, “considerámos extremamente importante estar presentes nesta investidura”, afirmou Chapo. Durante o seu discurso de tomada de posse, Museveni destacou o papel desempenhado por Moçambique, Tanzânia e Uganda na libertação do continente africano.
Museveni está no poder desde 1986 e alterou por duas vezes a Constituição ugandesa para eliminar os limites de idade e de mandatos presidenciais.
O líder da oposição ugandesa, o músico conhecido como Bobi Wine, tem rejeitado as sucessivas vitórias eleitorais de Museveni, classificando-as como fraudulentas. Museveni foi declarado vencedor das eleições gerais de 2026, após alegadamente obter 71% dos votos.
Depois das eleições, Bobi Wine foi forçado a fugir do país, alegando que a sua vida corria perigo. (PF)















