Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – A União Europeia prolongou por mais seis meses o mandato da sua missão militar em Moçambique, numa altura em que persistem focos de insegurança na província nortenha de Cabo Delgado e aumentam os esforços internacionais para consolidar a capacidade operacional das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
O Conselho da União Europeia anunciou a decisão através de um comunicado emitido esta quinta-feira, que estende o mandato da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) até Dezembro de 2026, reforçando o apoio europeu às forças de reacção rápida envolvidas no combate à insurgência armada no norte do país.
Segundo o comunicado da UE, a extensão responde à necessidade de “continuar a desenvolver programas para reforçar as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM)”, com particular enfoque nas Forças de Reacção Rápida, na logística e na sustentabilidade operacional.
“A extensão do actual mandato está ligada à necessidade de continuar a desenvolver programas para reforçar as capacidades das FADM, com enfoque nas Forças de Reacção Rápida, no seu ciclo operacional, logística e manutenção, contribuindo para a sua sustentabilidade e auto-suficiência”, refere o comunicado.
Esta extensão é curta em relação ao que se poderia esperar. A última prorrogação do mandato foi de cerca de dois anos. Recentemente, uma equipa de Bruxelas esteve em Maputo para avaliar a missão, e a extensão actual poderá servir apenas para permitir a conclusão desse processo de avaliação, havendo, por isso, a possibilidade de uma nova extensão para além de Dezembro.
Desde o início do mandato da EUMAM MOZ, em Setembro de 2024, a missão europeia realizou mais de 40 programas de formação, envolvendo cerca de 1.200 militares moçambicanos, incluindo aproximadamente 300 actualmente integrados em programas de regeneração operacional das unidades de Comandos e Fuzileiros.
Os números demonstram a profundidade do envolvimento europeu na reestruturação militar moçambicana, num contexto em que continuam a ser reportados ataques esporádicos de grupos insurgentes em distritos de Cabo Delgado, apesar das operações militares levadas a cabo pelas FADM e pelos seus aliados ruandeses.
“Assim, a União Europeia em geral, e a EUMAM MOZ em particular, demonstram o seu forte compromisso em apoiar Moçambique e as FADM na promoção da paz em Cabo Delgado”, acrescenta o comunicado da UE.
A missão europeia afirma que as suas actividades incluem áreas estratégicas como comando e controlo, formação de instrutores, manutenção e transporte, comunicação estratégica, cooperação civil-militar e assessoria institucional ao Estado-Maior General das FADM.
Os programas incluem igualmente componentes de Direito Internacional Humanitário, direitos humanos e integração da perspectiva de género nas operações militares.
Embora a EUMAM MOZ não participe directamente em operações de combate, Bruxelas considera que o reforço das capacidades das forças moçambicanas é essencial para garantir uma estabilidade duradoura em Cabo Delgado, província rica em gás natural, mas devastada por uma insurgência que já provocou milhares de mortos e deslocou mais de um milhão de pessoas desde 2017.
“A EUMAM MOZ é uma missão não executiva que procura apoiar as FADM no desenvolvimento e reforço das suas capacidades”, prossegue o comunicado, acrescentando que o objectivo é assegurar que as forças moçambicanas implementem e mantenham o ciclo operacional das Forças de Reacção Rápida.
A missão integra mais de 80 militares e civis provenientes de 11 Estados-membros da UE, incluindo Portugal, França, Espanha e Itália, bem como a Sérvia, que não é membro da União Europeia.
A extensão da missão ocorre numa fase em que os parceiros internacionais procuram evitar o ressurgimento da violência extremista em Cabo Delgado, após relatos recentes de movimentações insurgentes em algumas zonas rurais da província. (MT)














