Por Paul Fauvet
Maputo (MOZ TIMES) – Antigos guerrilheiros da Renamo apelaram esta quinta-feira aos órgãos internos do partido para acelerarem os preparativos para a realização de uma sessão do Conselho Nacional da Renamo e de um congresso extraordinário da formação política.
A Renamo encontra-se mergulhada numa disputa pela liderança, numa altura em que um grupo de antigos guerrilheiros procura forçar a demissão do presidente do partido, Ossufo Momade, responsabilizado pelo fraco desempenho da Renamo nas eleições gerais de 2024.
Momade e os seus aliados não dão sinais de que pretendam abandonar o controlo da liderança do partido, embora o líder tenha declarado estar disposto a deixar o cargo.
Momade foi eleito presidente da Renamo num congresso realizado em 2019 e reeleito no congresso seguinte, em 2024. Isso confere-lhe uma certa legitimidade democrática que os seus opositores internos não conseguem contornar.
Generais da Renamo e outros oficiais superiores do agora desmobilizado exército do partido reuniram-se na cidade da Beira, em Chimoio, a 27 de Março, e os opositores de Momade alegam que as decisões tomadas nesse encontro ainda não foram implementadas.
Os dissidentes dirigem uma Comissão Nacional de Gestão da Renamo. O seu porta-voz, João Machava, declarou numa conferência de imprensa realizada esta quinta-feira em Maputo que, 45 dias após a reunião dos generais, nada foi feito para implementar as recomendações aprovadas.
Entre essas recomendações constava a realização de uma série de reuniões de outros órgãos da Renamo, nenhuma das quais teve lugar. “Ninguém mexeu uma palha para realizar qualquer uma dessas reuniões”, afirmou Machava.
O porta-voz advertiu contra o que classificou como “manobras dilatórias” e criticou a incapacidade da liderança de Momade de assumir posições sobre questões candentes da actualidade.
Momade encontra-se ausente da vida pública, aparentemente por razões de saúde, e Machava apelou à activação de uma cláusula dos estatutos da Renamo que permite a substituição temporária do presidente do partido em caso de doença, até à realização de um congresso.
Machava alegou ainda que a liderança do partido não tomou qualquer posição sobre a guerra na província nortenha de Cabo Delgado, os ataques xenófobos contra estrangeiros, incluindo moçambicanos, na África do Sul, e o aumento do custo de vida, atribuído à subida do preço dos combustíveis.
A Comissão Nacional de Gestão apelou aos órgãos competentes da Renamo para adoptarem medidas que garantam a realização de uma sessão do Conselho Nacional, que deverá convocar um congresso extraordinário do partido até finais de Setembro.
No entanto, a Comissão de Gestão não dispõe de meios para impor as suas decisões, e parece pouco provável que Momade venha a ser afastado.
A Renamo já não é a principal força da oposição no país. Esse papel é agora desempenhado pela Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), partido político fundado pelo antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane. (PF)















