- Sectores da aviação, indústria, comércio e saúde são os mais afectados
- Empresários exigem solução imediata do Banco de Moçambique
Aurélio Muianga
Maputo (MOZTIMES) – Sessenta e três (63) empresas submeteram à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) processos pendentes de pedidos para o pagamento de facturas de importação de matéria-prima e mercadoria, algumas das quais aguardam liquidação há mais de seis meses, devido à escassez de divisas nos bancos comerciais.
A CTA apresentou esta terça-feira, em conferência de imprensa, documentos que evidenciam a falta de divisas no mercado cambial. Na ocasião, Evaristo Madime, responsável pelo Pelouro da Indústria na CTA, afirmou que os documentos serão submetidos ao Banco de Moçambique, na qualidade de regulador do sistema financeiro, como prova de que os bancos comerciais não têm liquidez suficiente para satisfazer as necessidades das importações.
Madime explicou que, das 63 empresas com pagamentos internacionais pendentes devido à falta de divisas, 41% são do sector industrial, 25% ao da aviação e 21% ao comércio geral.
O valor total das facturas por liquidar atinge os 400 milhões de dólares, segundo a CTA, afirmou Madime, acrescentando que, "devido a esta situação, muitas companhias aéreas decidiram suspender voos para Moçambique, bem como vender os seus bilhetes exclusivamente através de agências de viagens baseadas no estrangeiro".
Os empresários afirmam que a escassez de moeda estrangeira não se justifica, tendo em conta que grande parte da receita dos grandes projectos não tem sido repatriada. Como exemplo, Madime apontou que "a cobertura das exportações sobre as importações, incluindo os Mega Projectos, é de 87%".
Segundo a CTA, uma das soluções para reduzir a escassez de divisas no mercado, permitindo a importação de matérias-primas no valor de 500 milhões de dólares, seria o Governo obrigar as empresas do sector da indústria extractiva, em particular, a repatriar as receitas de exportação dos Grandes Projectos.
Outra sugestão é que o Banco de Moçambique reduza para metade as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) destinadas às importações, injectando a outra parte nos bancos comerciais para aumentar o fluxo de divisas e retomar o apoio à importação de combustíveis, pelo menos em 50%.
Caso a escassez de divisas persista, a CTA alerta para um agravamento da crise económica no curto prazo.
"Vão reduzir-se as oportunidades de emprego, aumentando a continuidade das convulsões sociais que temos assistido", advertiu Madime.
Paulo Oliveira, do Pelouro de Comunicação da CTA, revelou que há viaturas imobilizadas por falta de divisas para importar peças de substituição, incluindo ambulâncias.
Já Mariano Hassane, do Pelouro da Saúde, alertou para dificuldades na importação de medicamentos devido à falta de divisas para pagamento de facturas. "O próprio Ministério da Saúde também enfrenta problemas de importação devido à acumulação de facturas", afirmou Hassane. (AM)
















