Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Moradores estão a reportar actividades recentes de insurgentes no distrito de Mocímboa da Praia, incluindo incidentes registados num bairro da vila-sede e nas ilhas ao largo do distrito.
Na tarde de sábado, 24, insurgentes raptaram um menor do sexo masculino no bairro Filipe Nyusi, zona periférica da vila-sede do distrito de Mocímboa da Praia.
Segundo relatos da população, os militantes islamistas invadiram o bairro com o objectivo de localizar e matar o pai da vítima, membro da milícia Maconde Força Local. Não tendo encontrado o alvo pretendido, acabaram por raptar o seu filho menor.
Até ao momento, não há informações sobre o paradeiro da vítima, nem sobre eventuais operações em curso para o seu resgate.
O bairro Filipe Nyusi é habitado maioritariamente por população cristã do grupo étnico Maconde, numa vila-sede historicamente habitada maioritariamente por muçulmanos do grupo étnico Mwani. Em Setembro do ano passado, o mesmo bairro foi alvo de ataques selectivos contra residências de famílias Maconde, em duas ocasiões. Em ambos os ataques, mais de 10 pessoas foram mortas dentro das suas próprias casas.
A situação marcou o regresso de ataques dentro do perímetro da vila-sede, desde que as tropas ruandesas desalojaram os insurgentes da cidade, em Agosto de 2021. Na sequência desses ataques, milhares de pessoas abandonaram a vila para procurar refúgio no distrito de Mueda.
Presença de insurgentes nas ilhas
Desde terça-feira da semana passada, tem sido registada a presença de insurgentes nas ilhas ao largo de Mocímboa da Praia. Fontes locais referem que um grupo de militantes deslocou-se, na madrugada de terça-feira, 20 de Janeiro, à Ilha Quifuque, utilizando uma embarcação de pesca capturada a pescadores locais.
Os insurgentes transportaram uma quantidade significativa de produtos de primeira necessidade com o objectivo de os vender na ilha, localizada a cerca de 18 milhas da costa. No local, encontraram alguns pescadores e outros moradores, mas não foi registado qualquer acto de violência extrema contra a população, o que se interpreta como parte de uma estratégia de engajamento pacífico com as comunidades costeiras, visando ganhar o seu apoio.
“O meu irmão estava lá mesmo nas ilhas a pescar malhação (pesca nocturna) e ele, juntamente com os colegas, foi retirado da embarcação pelos insurgentes. Só ontem é que conseguiram regressar à vila-sede, vindos da ilha”, contou ao MOZTIMES um morador de Mocímboa da Praia.
Entretanto, uma publicação da Mozanorte, dedicada à cobertura de acontecimentos no norte de Moçambique, refere que, na sexta-feira passada, as ilhas de Muissune e Quifuque, no distrito de Mocímboa da Praia, foram alvo de incursões dos insurgentes. Durante essas acções, bens da população local terão sido saqueados e pescadores raptados, tendo sido exigidos pagamentos de 50 mil meticais por cada vítima para a sua libertação.
Até ao momento, não houve intervenção das forças governamentais nem das forças ruandesas para desalojar os insurgentes das ilhas. Ambas as forças enfrentam limitações operacionais no espaço marítimo, não dispondo de meios adequados para operações de contrainsurgência em ambiente insular.
As embarcações utilizadas, tanto pelas forças do Ruanda como pela Marinha de Guerra de Moçambique, destinam-se sobretudo ao patrulhamento costeiro, sem capacidade nem autonomia para perseguições prolongadas nas ilhas, onde os insurgentes detêm um conhecimento aprofundado do terreno. (MT)
















