– Instituição multilateral recusou conceder novo financiamento ao país, exigindo reformas económicas estruturais
– Firma contratada é especialista na recuperação de grandes empresas em falência
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – O Ministério das Finanças anunciou a contratação da firma norte-americana Alvarez & Marsal para assessorar o Governo em reformas fiscais, na sequência de um relatório crítico do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a situação económica do país.
A contratação foi anunciada num comunicado distribuído pelo Ministério das Finanças no final de quarta-feira, precisamente 24 horas depois de o Conselho Executivo do FMI ter concluído que Moçambique “continua a enfrentar um ambiente macroeconómico complexo, marcado por crescimento moderado, vulnerabilidades fiscais e da dívida, e declínio da ajuda externa”.
As conclusões não são novas. O Conselho Executivo subscreveu as constatações de uma missão da organização multilateral que realizou a avaliação da economia moçambicana ao abrigo do Artigo IV, em Novembro do ano passado.
Embora reconheça alguns avanços, como a retoma do projecto Mozambique LNG, a estabilidade da inflação e o aumento das reservas internacionais líquidas, o FMI critica as políticas fiscais do Governo e prevê tempos difíceis, com um crescimento económico baixo, de cerca de 2% ao ano, quando excluídos os projectos extractivos.
“As actuais orientações da política macroeconómica, nomeadamente os elevados défices fiscais e a necessidade de maior flexibilidade cambial, poderão agravar as vulnerabilidades macroeconómicas e da dívida”, afirmou o FMI. “Espera-se que o crescimento económico fora do sector mineiro permaneça modesto, em torno de 2%, reflectindo o fraco crescimento do crédito. A inflação deverá provavelmente ultrapassar a meta implícita do banco central a médio prazo, impulsionada pelo financiamento monetário de elevados défices fiscais”, acrescenta.
O FMI prevê que a situação económica de Moçambique melhore a partir de 2030, quando as exportações de gás do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, começarem a ganhar maior expressão.
Uma eventual paralisação do projecto pode atrasar ainda mais o início da produção e de exportação de LNG revista para 2029. Este é um risco a considerar no contexto da insurgência em curso no norte do país.
A empresa Alvarez & Marsal, especialista na recuperação de grandes empresas em falência, irá prestar assessoria financeira ao Governo, incluindo na “reforma proactiva da dívida pública, implementação de reformas estruturais e garantia de um novo programa apoiado pelo FMI”, refere o comunicado.
O documento do Governo não apresenta dados sobre o custo da assessoria a ser prestada pela firma multinacional norte-americana, nem sobre a duração do contrato.
A Alvarez & Marsal já esteve no centro de grandes polémicas financeiras, como no caso relacionado com a falência do banco Lehman Brothers, em que a firma, que agora irá assessorar o Governo moçambicano, recebeu quase 500 milhões de dólares em honorários ao longo dos três anos que se seguiram ao colapso do banco. (MT)















