- Eventos climáticos extremos têm sido cada vez mais frequentes em Moçambique e, para além de vítimas humanas, causam destruição de culturas agrícolas, gerando fome nos meses e anos subsequentes.
Por Aurélio Muianga
Maputo (MOZTIMES) - Um novo seguro contra as mudanças climáticas está a ser introduzido em Moçambique, e, numa primeira fase, vai beneficiar cerca de 7 mil pequenos produtores das províncias da Zambézia e Nampula.
O Seguro Agrícola de Índice de Produtividade por Área (Area Yield Index Insurance - AYII) garante que, caso a produção agrícola seja perdida devido a causas climáticas como seca, cheias, pragas, granizo, tempestades, os produtores possam receber indemnização pelas quantidades perdidas", disse em entrevista Elisa Manhique, directora comercial da Pula, uma das seguradoras do AYII.
Eventos climáticos extremos têm sido cada vez mais frequentes em Moçambique e, para além de vítimas humanas, causam destruição de culturas agrícolas, gerando fome nos meses e anos subsequentes. O Ciclone Idai, que atingiu Moçambique em Março e Abril de 2019, causou prejuízos económicos de cerca de USD 773 milhões e cerca de 700.000 hectares de terras agrícolas foram destruídas, segundo estudo publicado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O seguro AYII tem um prémio de 300 mil dólares, pago por um programa para resiliência às mudanças climáticas denominado Feed the Future (FTF) Resina, que é financiando, na totalidade, pela Agência dos Estado Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Numa primeira fase, a fase piloto, o seguro cobre a época agrícola que vai de Outubro de 2024 a Julho de 2025 e abrange quatro mil agricultores do Distrito do Gurúè, mil agricultores do Distrito de Namarrói, na Zambézia e dois mil agricultores do distrito de Mogovolas, na província de Nampula.
Os beneficiários foram selecionados pelo FTF Resina, em coordenação com os governos locais, através dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDE). As culturas seguradas são o milho e feijão verde, em Gurúè, e Namarói, amendoim e milho, em Mogovolas, por serem consideradas as que mais geram renda às famílias, mas também as mais afectadas por eventos climáticos extremos.
"O objectivo é mitigar choques ligados às mudanças climáticas e estimular a demanda pelo seguro agrícola, porque muitos produtores ainda não conhecem a sua importância e nem sabem como funciona", disse, em entrevista, o Director do Programa FTF Resina, Nephas Munyeche.
Segundo Munyeche, o dinheiro do prémio de seguro é uma doação do Governo dos Estados Unidos da América, para ajudar os pequenos produtores agrícolas a gerar resiliência a choques de mudanças climáticas e também a choques económicos. Após a fase piloto do seguro, que termina em Julho de 2025, o mesmo pode se expandir para mais regiões.
“O seguro garante que, caso a produção fique submersa, e, durante a colheita, entre Maio e Junho, os produtores possam ser indemnizados pelas quantidades perdidas", disse a directora comercial da Pula. “Por exemplo, se o rendimento esperado de milho por um agricultor de Gurúè,, era de uma tonelada e o produtor tiver colhido 100kg, o seguro vai pagar ao produtor pelos 900 kg perdidos”, explicou.
A Pula implementa o seguro agrícola em parceria com a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), controlada pelo Governo. (AM)
















