Por Ricardo Dias
Maputo (MOZTIMES) – Funcionários e agentes do Estado iniciaram, esta segunda-feira, uma paralisação parcial das actividades, em protesto contra o não pagamento do décimo-terceiro salário, aumentando a pressão sobre o novo Chefe de Estado, mesmo antes de este concluir a formação do seu executivo.
A greve foi anunciada na sexta-feira (17) por quatro associações profissionais, incluindo professores, enfermeiros e técnicos de saúde. Isac Marrengula, presidente da Associação Nacional dos Professores (ANAPRO), afirmou, na ocasião, que “o não pagamento do 13.º salário representa uma manifesta falta de respeito e desvalorização do corpo de funcionários públicos”.
No sábado seguinte, o Conselho de Ministros realizou a sua primeira sessão ordinária, na qual foi analisada a situação do pagamento do 13.º salário para os funcionários públicos e pensionistas.
No entanto, o Governo referiu enfrentar “dificuldades na sua materialização imediata, tendo em conta os impactos negativos verificados na colecta de receitas, como consequência das perturbações resultantes das manifestações violentas e da destruição de património público e privado”, lê-se no comunicado oficial emitido pelo Conselho de Ministros.
Nesta segunda-feira, registou-se a paralisação de actividades em várias instituições públicas, incluindo o Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país; a Escola Internacional de Maputo, uma instituição de ensino primário e secundário frequentada por filhos da elite de Maputo; a empresa estatal de telefonia móvel, TMCEL; bem como a Direcção Nacional de Identificação Civil, responsável pela emissão de bilhetes de identidade.
Em muitas escolas públicas onde estavam a decorrer exames especiais nesta segunda-feira, os professores recusaram-se a supervisioná-los, gerando um ambiente de desordem.
Desde 2020, o Governo moçambicano tem enfrentado dificuldades para garantir o pagamento regular dos salários aos funcionários públicos, registando atrasos sistemáticos e acumulando dívidas aos trabalhadores que realizam horas extras, além de falhas no pagamento do 13.º salário. (RD)















