- O projecto Mozambique Rovuma Venture é o maior de todos em Cabo Delgado, com um investimento estimado em 30 mil milhões de dólares.
Por Paul Fauvet
Maputo (MOZTIMES) – A gigante norte-americana de petróleo e gás, ExxonMobil, anunciou que espera gerar, ao longo de 30 anos, até 150 mil milhões de dólares norte-americanos em receitas para o Estado moçambicano.
Segundo Arne Gibbs, director-geral da ExxonMobil em Moçambique, falando esta quinta-feira em Maputo durante a 12.ª Conferência de Minas e Energia de Moçambique, a empresa está próxima da sua Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês). Gibbs espera que a FID seja anunciada no segundo semestre de 2026.
Isto parece dissipar a incerteza sobre se o investimento da ExxonMobil avançará efectivamente. Gibbs disse à conferência que, em Abril, a empresa confirmou a submissão do novo plano de desenvolvimento do projecto ao Governo moçambicano.
“Gostaria de dizer que este projecto aumentará as receitas do Governo em 60 por cento durante o período de vida do projecto. Garantimos que o novo conceito do Rovuma LNG permitirá uma maior produção de gás natural liquefeito (GNL), com economias de escala significativas”, declarou Gibbs.
Segundo Gibbs, o Rovuma LNG é o maior projecto da história do continente africano e “o seu conceito técnico representa uma mudança decisiva, resultado de dois anos de engenharia que culminaram no modelo modular adoptado, o qual permitirá produzir mais GNL com custos optimizados.”
“O segredo do sucesso deste conceito é muito simples: economias de escala. Se for possível fazer mais, em maior dimensão, com maior volume de GNL, pelo mesmo preço, ganha-se sempre. Continuamos comprometidos em tomar a decisão final de investimento durante o segundo semestre deste ano”, afirmou Gibbs.
Ele alegou que os benefícios económicos começarão a fluir do projecto mesmo antes da produção de qualquer GNL. “Haverá entradas financeiras para o Estado mesmo durante a fase de construção, através de impostos, taxas e participação de bancos comerciais moçambicanos”, disse.
A empresa italiana de energia ENI, que lidera duas plataformas flutuantes de GNL ancoradas na Área 4 da bacia do Rovuma, na província nortenha de Cabo Delgado, disse à conferência que Moçambique está a consolidar-se como um dos principais produtores mundiais de GNL.
Segundo Marica Calabrese, directora da Eni Rovuma Basin, a produção de GNL começou em 2022 e a primeira plataforma, Coral Sul, exporta cerca de uma carga de GNL por semana.
“Os parceiros da Área 4, liderados pela Eni”, disse ela, “foram escolhidos para tornar este projecto fundamental para o país. Este projecto representa um feito tecnológico sem precedentes, sendo a única plataforma flutuante do mundo a produzir gás em águas ultraprofundas. A operação é conduzida com elevados padrões internacionais de saúde, segurança e integridade técnica.”
Segundo Calabrese, a Coral Sul já canalizou quase 300 milhões de dólares norte-americanos em receitas para o Estado moçambicano e “já realizou mais de 150 carregamentos de GNL para exportação.”
Espera-se que a segunda plataforma da ENI, Coral Norte, inicie a produção até ao segundo trimestre de 2028. (PF)















