Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Um assalto cuidadosamente planeado à base de Catupa, no distrito de Macomia, resultou em pesadas baixas entre os militares moçambicanos no sábado, 28 de Junho. Há também relatos de dezenas de insurgentes mortos.
A floresta de Catupa é considerada um dos últimos redutos dos insurgentes que continuam a perpetrar ataques em Cabo Delgado. Localiza-se na zona costeira de Macomia, entre a margem sul do rio Messalo e o oceano Índico, no posto administrativo de Quiterajo. As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) tentam há anos desalojar os insurgentes da região, sem sucesso. Algumas ofensivas bem-sucedidas são seguidas de contra-ataques que permitem aos insurgentes retomar o controlo das posições.
No sábado, numa nova tentativa de ocupação das bases, registaram-se intensos confrontos entre as FADM e os insurgentes, com dezenas de mortos de ambos os lados. O Estado Islâmico divulgou imagens onde se contam 13 corpos de militares moçambicanos mortos durante os combates, embora também se tenham verificado baixas significativas entre os jihadistas.
Segundo fontes militares, a operação teve início às 4 horas da manhã e prolongou-se até ao final do mesmo dia, entre ataques e contra-ataques. “Os insurgentes eram muitos. Caímos em emboscadas. Só conseguimos sair devido às nossas tácticas. Tivemos muitas baixas”, contou uma fonte militar ao MOZTIMES.
A mesma fonte avançou que a operação prossegue, estando a ser mobilizados reforços a partir de unidades militares próximas para dar continuidade ao assalto à base de Catupa. “O objectivo é limpar as bases que eles têm em Catupa, porque aquilo é a nossa maior preocupação neste momento”, acrescentou.
Catupa é uma área de floresta densa e de difícil acesso, conhecida como um dos principais bastiões da insurgência na região central de Cabo Delgado. Acredita-se que é a partir desta base que os insurgentes lançam ataques contra aldeias da região.
Na madrugada do mesmo dia, sábado, 28 de Junho, residentes da aldeia Mandava, no distrito de Muidumbe, fugiram para as matas após relatos de movimentações insurgentes nas proximidades do rio Messalo. Por volta das 15 horas, homens armados foram avistados em zonas florestais próximas, provocando agitação e o subsequente abandono da aldeia ao cair da noite.
“Começaram a circular informações de que malfeitores estavam na zona. Alguns foram dormir no mato e os corajosos ficaram, mas com medo”, relatou um residente local, acrescentando que há quem aproveite o pânico para saquear casas de vizinhos.
A 19 de Junho, insurgentes atacaram a aldeia V Congresso, também em Muidumbe. O grupo armado entrou por volta das 19 horas, disparou para o ar e forçou a população a fugir para as matas. Pelo menos cinco casas foram incendiadas e as restantes residências saqueadas.
Segundo testemunhas locais, os atacantes seguiram depois pela EN380 em direcção à aldeia de Chai, antes de se embrenharem novamente no mato, nas imediações de Mucojo.
Insegurança persiste na EN380
A circulação de viaturas na Estrada Nacional n.º 380, entre Macomia e Awasse, continua a ocorrer sem escolta militar regular. Fontes posicionadas em Xitaxi indicam que a protecção só é activada quando há informações sobre movimentações insurgentes ou barreiras montadas na via.
Nos restantes dias, os veículos circulam sem escolta, o que tem gerado críticas por parte de residentes e observadores locais. “Estamos a viver um inferno nesta região”, lamentou um professor de Macomia. “É muito perigoso circular numa estrada onde, ontem mesmo, estiveram os insurgentes a sequestrar pessoas. Mesmo assim, os motoristas avançam. Só pensam no dinheiro e não nas vidas que transportam”, concluiu. (MT)















