Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – O Banco de Moçambique (BdM) anunciou, esta semana, novas restrições às posições cambiais dos bancos comerciais, num regime excepcional que vigorará por um ano e que poderá agravar a já existente escassez de divisas no país.
Segundo o regulador do sistema financeiro, os bancos comerciais não poderão encerrar o dia com uma posição cambial global longa superior a 2%, nem curta acima de 20% dos seus fundos próprios. Para cada moeda, individualmente, a posição longa fica limitada a 1% e a curta a 10%.
A medida surge num contexto de forte pressão no mercado cambial, onde empresas reportam dificuldades crescentes no acesso a moeda estrangeira. Para o economista Dimas Sinoia, em entrevista ao MOZTIMES, a decisão compromete a capacidade dos bancos de gerir riscos associados à volatilidade do metical.
“Limitar a posição cambial longa a apenas 2% dos fundos próprios reduz significativamente a capacidade dos bancos de manter reservas de moeda estrangeira como protecção contra desvalorizações cambiais”, afirmou Sinoia. “Isso pode limitar a sua flexibilidade numa economia altamente exposta a choques externos”, acrescentou.
O especialista explicou que posições longas em divisas funcionam como mecanismos defensivos para proteger os balanços dos bancos durante períodos de instabilidade.
“Um banco com uma posição longa possui mais activos em moeda estrangeira do que passivos, garantindo assim maior capacidade para honrar compromissos cambiais mesmo em cenários de desvalorização do metical. Ao restringir esta margem, os bancos ficam mais vulneráveis ao risco”, explicou Sinoia.
Segundo o economista, a medida do Banco Central pode também afectar os exportadores e o sector privado, ao reduzir a disponibilidade de divisas no sistema financeiro.
“A escassez de divisas é real. Ao impor estes limites, o BdM parece tentar gerir uma escassez forçada, mas pode acabar por minar a confiança do mercado e dificultar ainda mais o acesso às moedas fortes”, concluiu. (NM)















