Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, terminou esta quarta-feira uma visita oficial de quatro dias a Bruxelas, sede da União Europeia (EU), na véspera do término do acordo pelo qual a UE financia parte dos custos das operações das Forças de Defesa do Ruanda na guerra contra o terrorismo na província de Cabo Delgado, no norte do país.
No entanto, há uma semana, a delegação da União Europeia em Maputo indicou que a renovação do acordo com o Ruanda não estava na agenda, reportou a agência portuguesa de notícias Lusa.
Nos últimos três anos, esse acordo disponibilizou 40 milhões de euros para a logística e o equipamento das forças ruandesas.
Também está prestes a expirar o acordo de assistência militar da UE a Moçambique. A missão é liderada por Portugal e financiada pela UE, terminando oficialmente em Junho.
Segundo o próprio Chapo, nem o acordo com o Ruanda nem a missão militar da UE constavam da sua agenda em Bruxelas. Disse aos jornalistas que, até ao momento, “não tenho nenhuma informação oficial sobre o fim dessas missões”.
“O conceito de missão é que começa e termina, e quando não termina, continuamos a trabalhar”, afirmou. Ambos os acordos estão dentro do seu calendário, pelo que “estamos a cumprir o período e aguardamos uma definição de ambas as partes no fim da missão”.
Chapo disse que “ainda não chegámos a Maio (quando expira o financiamento da UE para o contingente ruandês) e ainda não chegámos a Junho (quando termina a missão militar da UE). Portanto, o que posso dizer é que ambas as missões continuam em Moçambique”.
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O Presidente sublinhou que a UE não comunicou ao Governo moçambicano qualquer decisão sobre o eventual fim da missão militar. Uma fonte da UE indicou que a União Europeia mantém um “diálogo contínuo” com Moçambique para definir “eventual apoio” em medidas de segurança para Cabo Delgado.
Chapo aproveitou a sua visita a Bruxelas para apelar ao apoio de empresas europeias ao sector energético moçambicano e à digitalização.
Moçambique como hub energético regional
Na abertura de um encontro denominado “Renmoz in Europe Business Forum”, Chapo afirmou que Moçambique pretende construir “um sector energético moderno, sustentável e competitivo, capaz de impulsionar a transformação económica do nosso país e contribuir para a segurança energética da região e do mundo”.
Sustentou que este encontro “está a enviar uma mensagem forte. É um sinal claro de uma ambição de transformar potencial em investimento, investimento em crescimento económico e crescimento em progresso social”.
Chapo destacou que Moçambique dispõe de abundantes recursos energéticos, incluindo “vastos recursos hidroeléctricos, enorme potencial solar e eólico e importantes reservas de gás natural”. Esta combinação “faz de Moçambique um parceiro estratégico para a segurança energética da África Austral”.
Sublinhou ainda que Moçambique está a desenvolver um sistema energético “assente em energias renováveis”, com “valorização responsável do gás natural” e “promoção da industrialização verde”.
“Acreditamos profundamente que a energia é um dos pilares da independência económica de Moçambique – uma energia que impulsiona a industrialização, cria empregos de qualidade e reforça a competitividade”, acrescentou.
“Esta transformação exige mais do que recursos naturais”, disse ainda Chapo. “Exige liderança. Exige capital. Acima de tudo, exige parcerias estratégicas sólidas e duradouras”.
Foi por isso que se deslocou a Bruxelas, explicou. O objectivo é “aprofundar a cooperação entre Moçambique e a Europa e mobilizar investimentos que possam transformar o nosso imenso potencial energético em prosperidade partilhada”.
Chapo defendeu igualmente que as tecnologias digitais são cruciais para a diversificação económica, uma vez que criam novas oportunidades para os jovens.
Na abertura do Dia Aberto Digital União Europeia–Moçambique, em Bruxelas, na quarta-feira, afirmou que as tecnologias digitais, em particular a Inteligência Artificial (IA), têm um impacto transformador.
“A IA está a transformar profundamente a forma como produzimos, empreendemos, governamos e competimos. Representa o nascimento de uma nova força de trabalho altamente qualificada, digital e globalmente competitiva”, afirmou.
Os países africanos como Moçambique, disse, devem encarar a IA como uma oportunidade estratégica para “acelerar o desenvolvimento, diversificar a economia e criar novas oportunidades para os jovens”.
A digitalização, acrescentou, faz “parte da agenda de modernização do Estado moçambicano, da competitividade económica e da expansão de oportunidades para todos os cidadãos”.
“Nenhum país percorre sozinho o caminho da transformação digital”, prosseguiu. “Saudamos o apoio europeu na mobilização de financiamento e no reforço das capacidades institucionais, bem como os investimentos anunciados para a conectividade rural e a expansão da rede electrónica do Governo, medidas que aproximarão os cidadãos dos serviços públicos”. (MT)
(Artigo corrigido no segundo parágrafo para citar a notícia da Lusa)














