– 103 pessoas morreram desde o início da época chuvosa em Outubro de 2025 e mais de 230 mil foram afectadas
– O Governo convocou uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros para avaliar a situação das cheias e pode decretar alerta vermelho
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – As cheias no sul de Moçambique agravaram-se esta quinta-feira, à medida que chuvas torrenciais continuaram a cair em todas as principais bacias hidrográficas.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro do ano passado, 103 pessoas morreram e 231 730 foram afectadas, segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD). Mais de 10 800 casas foram parcialmente destruídas e mais de 4 600 foram totalmente destruídas.
Infra-estruturas públicas, incluindo hospitais (15) e escolas (223), também foram severamente afectadas, perturbando a educação de cerca de 51 800 alunos, indicam os dados do INGD.
O Governo reuniu-se hoje em sessão de emergência para avaliar a situação das cheias e pode decretar alerta vermelho.
Uma preocupação particular é a barragem de Massingir, no rio dos Elefantes, o principal afluente do Limpopo. Pela primeira vez desde 1977, as 14 comportas da barragem foram abertas.
De acordo com reportagens da estação de televisão independente STV, em poucas horas os volumes de água descarregados pela barragem aumentaram de 10 000 para 17 000 metros cúbicos por segundo.
O ministro das Obras Públicas, Fernando Rafael, visitou Massingir na quinta-feira e insistiu que as pessoas que ainda vivem junto às margens do rio devem ser evacuadas imediatamente.
“É importante que as pessoas abandonem de imediato as zonas baixas”, afirmou Rafael. Para além da albufeira de Massingir estar completamente cheia, as barragens situadas mais a montante, no vale do Limpopo, nos países vizinhos, também estão cheias.
As autoridades estão igualmente a ordenar evacuações a jusante, nos distritos de Chókwè e Guijá. Aqui, o rio Limpopo transbordou e grandes volumes de água estão a atravessar a vila de Chókwè.
Luísa Meque, presidente do órgão nacional de assistência, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), advertiu que as pessoas que se recusarem a abandonar voluntariamente as zonas propensas a cheias serão removidas de forma coerciva.
“O tempo da sensibilização já terminou”, afirmou Meque, ao intervir numa reunião do Comité Operativo de Emergência provincial de Gaza, em Chókwè. “Temos de avançar para a evacuação obrigatória das comunidades que ainda se encontram em zonas de risco.”
Após sobrevoar a albufeira de Massingir e o vale do Limpopo, Meque afirmou que a situação é extremamente preocupante e exigiu uma resposta imediata das autoridades e da população.
“Vamos encarar isto com toda a seriedade”, garantiu. “Chókwè tem experiência de cheias e faremos tudo para evitar a repetição do que aconteceu em 2000.”
Referia-se às piores cheias da história de Moçambique no período pós-independência, quando todos os principais rios das províncias do sul transbordaram.
O administrador do distrito de Massingir, Sérgio Costa, disse que 80 pessoas foram evacuadas de um total de cerca de 600 que se encontravam cercadas pelas águas.
“As operações de resgate continuam com o objectivo de não perder uma única vida humana”, afirmou. (MT)















