- Circulação rodoviária no troço Macomia–Oasse está interrompida desde domingo devido a ataques de insurgentes
- Estado Islâmico reivindica ter morto 14 militares, entre moçambicanos e ruandeses, e exibe alguns corpos nos seus canais de propaganda
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – As Forças de Defesa e Segurança usaram meios aéreos nesta quarta-feira para bombardear áreas onde acreditam estar localizadas células de insurgentes islamistas apoiadas pelo Estado Islâmico, na região de V Congresso, distrito de Macomia.
A operação constituiu o mais recente esforço para garantir a reabertura da circulação na Estrada Nacional Número 380 (N380), a única via alcatroada que liga os distritos de norte de Cabo Delgado ao resto do país.
O último ataque de insurgentes na N380 ocorreu no domingo passado, por volta do meio-dia, contra colunas de viaturas civis com escolta militar. Nos dias subsequentes, registaram-se intensos combates na região onde ocorreram os ataques, com contingentes militares destacados da vila-sede de Macomia para o local, com o objectivo de resgatar as vítimas e recuperar os bens transportados nos camiões.
No entanto, os militares destacados caíram em várias emboscadas montadas pelos insurgentes.
Conforme reportou o MOZTIMES nesta terça-feira, no local registavam-se confrontos intensos entre os insurgentes islamistas e as forças governamentais, apoiadas por membros da milícia étnica Força Local e por tropas do Ruanda.
O Estado Islâmico publicou, esta quarta-feira, nos seus canais de propaganda, imagens chocantes que mostram vários corpos de militares moçambicanos da Força de Reacção Rápida, treinados pela Missão Militar da União Europeia em Moçambique. Nas imagens, é ainda possível ver dois corpos de membros da milícia Força Local.
Na mensagem que acompanha as imagens, o Estado Islâmico reivindica que os seus combatentes mataram oito soldados moçambicanos e seis ruandeses na região de V Congresso. No entanto, nas imagens divulgadas, não é possível identificar corpos de militares ruandeses, a avaliar pelo fardamento e por outros elementos visuais.
Apesar da intervenção da força aérea, até ao final do dia de quarta-feira, o trânsito no troço Macomia–Oasse continuava interrompido, pelo menos para viaturas civis.
De acordo com fontes militares, o uso de helicópteros teve como principal objectivo permitir a recuperação dos corpos de militares mortos em combates na região de V Congresso, uma vez que se acredita que os insurgentes já tenham abandonado a zona, levando consigo vários produtos saqueados das viaturas, incluindo mercadorias transportadas em camiões.
As emboscadas regulares a viaturas que circulam ao longo da N380 constituem uma das principais formas de financiamento ao terrorismo em Cabo Delgado, pois permitem aos grupos insurgentes obter diversos bens, incluindo alimentos, medicamentos e dinheiro, seja por roubo ou por resgate exigido para libertar vítimas raptadas durante os ataques.
Apesar da escolta militar que acompanha as viaturas civis que circulam no troço entre Macomia e Oasse, os insurgentes continuam a demonstrar capacidade de perpetrar ataques com sucesso. O último grande ataque no mesmo troço ocorreu em Dezembro passado, há cerca de dois meses. (MT)















