- Este é o segundo ataque contra embarcações de civis, em menos de dois meses, protagonizado por militares moçambicanos
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Militares da Marinha de Guerra de Moçambique são acusados de assassinar civis que viajavam a bordo de uma embarcação à vela, na manhã desta sexta-feira (22), ao largo do mar entre os distritos de Macomia e Ibo, na província de Cabo Delgado.
O número exacto de vítimas mortais ainda não foi apurado, embora algumas fontes apontem entre cinco e sete mortos, todos do sexo masculino.
Uma fonte, que conhecia uma das vítimas, contou ao MOZTIMES que a embarcação partiu da ilha de Mefunvo na madrugada de sexta-feira (22) com destino à aldeia Mahate, em Quissanga, onde carregou mais de 200 sacos de sal. O destino era a aldeia de Pangane, no posto administrativo de Pangane, em Macomia. Esta localidade é actualmente um dos pontos costeiros com maior registo de retornados, sobretudo pescadores e comerciantes informais de pescado.
“O barco saiu de Mefunvo para Mahate, onde carregou sal com destino a Pangane. Mas não chegou ao destino porque, no troço entre Matemo e Pangane, surgiram homens, provavelmente militares vindos do Ibo, que atacaram a embarcação”, relatou a fonte, sem precisar o número de mortos.
Outra fonte disse ao MOZTIMES que os militares da Marinha terão saído da sede distrital de Ibo, após receberem informações das autoridades sobre uma embarcação alegadamente sequestrada por insurgentes e transportando produtos alimentares a partir de uma aldeia chamada Mussemuko.
Sem proceder a qualquer verificação, os militares abriram fogo contra os ocupantes da embarcação e, de seguida, recuaram, segundo relatos recolhidos.
Alguns corpos foram mais tarde encontrados por pescadores na orla marítima entre as aldeias de Goludo e Crimize, no extremo sul do posto administrativo de Mucojo. Os corpos acabaram sepultados por residentes da aldeia Goludo.
Este é o segundo caso, em cerca de um mês, em que militares da Marinha de Guerra são acusados de assassinar civis em embarcações na mesma região. Um incidente semelhante foi reportado em Julho, mas um porta-voz das Forças Armadas de Defesa de Moçambique não confirmou a ocorrência, limitando-se a prometer uma investigação.
Os insurgentes usam a violência contra civis praticada pelas Forças de Defesa e Segurança para legitimar as suas acções, apresentando-se como defensores das comunidades muçulmanas vítimas de abusos das forças governamentais.
O MOZTIMES apurou ainda que, recentemente, houve movimentação de grupos insurgentes na região costeira entre aldeias de Ibo e Macomia, vindos do interior de Quissanga. Esses grupos teriam obrigado marinheiros locais a transportá-los em direcção às margens do rio Messalo, no norte de Cabo Delgado. (MT)















