Por Celestino Carlos
Pemba (MOZTIMES) – Vinte e sete (27) membros do grupo de milícias tradicionais Naparama foram mortos este domingo, no distrito de Chiúre, no sul de Cabo Delgado, em confronto com insurgentes jihadistas apoiados pelo Estado Islâmico.
Segundo fontes locais, o confronto ocorreu nas matas do Posto Administrativo de Katapua, no distrito de Chiúre, pouco depois dos insurgentes terem incendiado a aldeia de Messanja.
Os Naparama são uma milícia de base étnica, composta maioritariamente por jovens do grupo étnico Macua, do sul de Cabo Delgado. Organizam-se para defender as suas comunidades contra a insurgência, perante a incapacidade das forças governamentais de responder ao conflito com eficácia.
No entanto, na sua actuação, os Naparama utilizam instrumentos contundentes, como catanas, arcos e flechas, o que os coloca numa posição de inferioridade face aos insurgentes, que dispõem de armas de fogo sofisticadas.
No confronto deste domingo, os Naparama tentavam travar o avanço dos insurgentes nas suas comunidades e organizaram-se em massa para repelir os atacantes.
“A perseguição aos insurgentes começou depois de estes terem saído de Messanja, às 04h00, e só terminou às 16h00, depois do grupo atravessar o rio Megaruma em direcção ao distrito de Ancuabe”, contou um membro dos Naparama ao correspondente do MOZTIMES em Chiúre.
Após o confronto, o grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou ter matado 26 membros da milícia, segundo uma publicação divulgada na manhã desta segunda-feira pela agência de propaganda Amaq.
Já na tarde de segunda-feira, uma fonte dos Naparama disse ao MOZTIMES, em Chiúre, que foram encontrados 27 corpos de membros da milícia na zona do confronto. “Este é o número de corpos localizados no terreno, e os mesmos foram enterrados numa vala comum ali mesmo no mato”, explicou.
“Do lado dos terroristas, não se sabe o número exacto de mortos no confronto. Durante as buscas, apenas foram localizados três corpos de elementos daquele grupo armado”, acrescentou a mesma fonte.
Este é o número mais elevado de membros dos Naparama mortos de uma só vez em Cabo Delgado, em confrontos com insurgentes. O caso anterior ocorreu em Julho do ano passado, na aldeia de Melija, no mesmo distrito de Chiúre, quando membros da milícia foram mortos por insurgentes num confronto armado.
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Os Naparama acreditam no poder da medicina tradicional para se protegerem contra ataques armados de insurgentes. O elevado número de mortos e feridos entre os membros do grupo é frequentemente explicado, no seio da milícia, por alegadas traições internas ou pelo uso incorrecto da medicina tradicional.
As Forças de Defesa e Segurança (FDS) foram destacadas para Chiúre com o objectivo de impedir que os insurgentes chegassem à vila-sede do distrito, mas não se envolveram directamente nos confrontos nas matas que resultaram na chacina dos membros da milícia Naparama.
O envolvimento dos Naparama no combate à insurgência constitui uma das dimensões étnicas mais visíveis do conflito, protagonizado por insurgentes maioritariamente do grupo étnico Mwani, oriundos das regiões costeiras de Cabo Delgado, e que tem afectado de forma particularmente violenta as comunidades do interior, maioritariamente Macua e Maconde. (CC)















