- A corrupção na função pública está a dificultar a luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) - Moçambique tem uma nova directora do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). Glória da Conceição Adamo tomou posse esta segunda-feira, 16 de Setembro, em substituição de Ana Gemo, que esteve no cargo nos últimos 16 anos.
A troca da liderança máxima na agência central do Governo para o combate à corrupção ocorre num momento crítico para o país. Moçambique está a lutar para conter o financiamento ao terrorismo e combater o branqueamento de capitais, dois tipos de crime organizado transnacional que são facilitados pela corrupção endémica envolvendo servidores públicos.
Moçambique está classificado como a 145ª nação menos corrupta entre 180 países no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Para além da corrupção endémica dos funcionários do Governo, que se carateriza pelo desvio do dinheiro público, os servidores públicos são acusados de receber subornos para facilitar o crime organizado transnacional como é o caso do financiamento ao terrorismo, branqueamento de capitais, imigração ilegal, raptos para pedido de resgate, tráfico de droga e de pessoas, contrabando de recursos naturais, entre outros.
Funcionários da Migração são acusados de facilitar a entrada e saída de pessoas suspeitas de financiar o terrorismo, enquanto funcionários dos serviços de registo civil emitem documentação de identificação para cidadãos estrangeiros ilegais em troca de subornos.
Estas práticas tornam difícil a luta do Governo contra o terrorismo na região norte do país. Desde 2017, a província nortenha de Cabo Delgado está sob ataques de um grupo jihadista local, denominado Al-Shabab ou Ahlu SunnaWal Jammah, que conta com apoio directo do Estado Islâmico. (NM)
















