– Multinacional francesa mostra desespero com a possibilidade de congelamento do financiamento que representa cerca de 25% do investimento total
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – A TotalEnergies requereu a sua integração como parte num processo judicial movido por organizações ambientais num Tribunal de Washington DC, nos Estados Unidos, que visa travar o financiamento do Governo norte-americano ao projecto de exploração de gás em Cabo Delgado.
A acção judicial foi iniciada pela Friends of the Earth U.S. e Justiça Ambiental/Friends of the Earth Moçambique, representadas pela organização EarthRights International, e contesta a aprovação de um financiamento de 4,5 mil milhões de dólares pelo Banco de Exportação e Importação dos EUA (EXIM-Bank) ao Projecto Mozambique LNG. As ONGs argumentam que a aprovação do financiamento é ilegal, alegando que o “projecto está rodeado por um conflito violento e causará uma destruição ambiental significativa”.
A TotalEnergies, operadora do Projecto Mozambique LNG e detentora de cerca de 26,5% das acções do consórcio, não foi inicialmente constituída como arguida no processo, que tem como réu o Governo norte-americano. No entanto, segundo fontes familiarizadas com o caso, a multinacional francesa solicitou, e viu aprovado, o seu pedido para integrar o processo, com o objectivo de apoiar o Governo dos EUA na defesa do financiamento, que representa cerca de 25% das necessidades totais de investimento no projecto.
Ainda de acordo com as mesmas fontes, a TotalEnergies foi admitida como parte no processo e os seus advogados encontram-se a analisar a documentação judicial. Através da sua filial em Moçambique, a empresa pretende contestar as alegações de que o Projecto Mozambique LNG contribui para a insurgência em Cabo Delgado.
As organizações ambientalistas, apoiadas na análise de especialistas sobre a insurgência, sustentam que o projecto contribui para a propagação do conflito de diversas formas. Entre elas, destacam o desvio da atenção das forças governamentais para a protecção da infraestrutura do projecto, deixando comunidades vizinhas vulneráveis, e a exclusão das populações locais dos benefícios gerados pelo empreendimento, factores que, segundo as ONGs, alimentam sentimentos de frustração e criam terreno fértil para o apoio à insurgência.
O andamento deste processo poderá atrasar o desembolso dos fundos e, consequentemente, adiar o anúncio da retoma do projecto, inicialmente previsto para o terceiro trimestre de 2025. (MT)















