- Situação é agravada pela passagem do ciclone Chido e pela redução de recursos financeiros
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) - O sector de Saúde em Cabo Delgado enfrenta dificuldades crónicas para garantir uma resposta eficaz às necessidades da população, refere a Organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em relatório publicado recentemente.
A província nortenha de Cabo Delgado já sofria devido à falta de recursos e fragilidade do sistema de saúde, mas a situação agravou-se com a insurgência jihadista que assola a província desde 2017.
A passagem do ciclone Chido pela região norte de Moçambique, a 15 de Outubro do ano transacto, agravou a situação. Foram destruídas pelo ciclone 52 unidades sanitárias, refere a MSF no seu relatório sobre a resposta à situção de emergência nas zonas afectadas pelo ciclone.
O relatório da MSF destaca que para além das necessidades urgentes de reparação das infraestruturas, muitos centros de saúde enfrentam restrições no fornecimento de água potável e electricidade, o que tem dificultado o atendimento à população.
“Essa situação é agravada pela falta de atenção à província, que se reflecte na redução de recursos
financeiros, o que dificulta a resposta de outras organizações humanitárias que já operam com
recursos escassos”, destaca o relatório.
Em resposta à crise, a MSF , em parceria com o Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU), iniciou uma operação de emergência, em Dezembro de 2024, para oferecer cuidados médicos às pessoas afectadas pela tempestade. A organização enviou equipas para os distritos de Pemba, Metuge e Mecufi, os mais atingidos, para avaliar o impacto do ciclone.
A responsável pela equipa de avaliação do MSF, Jacinta Francisco, disse que todos os centros de saúde visitados em Metuge e Mecúfi foram danificados pelo ciclone. Os serviços médicos estão a ser prestados em tendas improvisadas.
Por seu turno, a coordenadora médica da MSF em Moçambique, Luísa Suárez referiu que “ os profissionais de saúde da região estão sobrecarregados devido ao alto volume de trabalho e à perda de recursos”. Frisou que “estamos particularmente preocupados com o potencial surgimento de doenças como cólera, que é endémica na região” .
De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres (INGD), até ao dia 22 de Dezembro o ciclone Chido havia afectado 687.630 pessoas, principalmente em Cabo Delgado e nas províncias de Nampula e Niassa. Foram contabilizados 120 mortos, 868 feridos e a destruição parcial ou total de 155.532 casas, 250 escolas e 52 unidades sanitárias. (NM)















