– Agentes da Polícia são ainda acusados de roubar bens das vítimas
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – A operação policial que pôs fim à ocupação da sede nacional da RENAMO e do gabinete do presidente Ossufo Momade, na última quarta-feira, terminou com seis desmobilizados baleados, denúncias de saques e detenções ilegais.
Agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), mobilizados para desocupar os espaços, são acusados de uso excessivo da força, negligência médica e roubo de bens pessoais pertencentes aos 59 desmobilizados.
Segundo Edgar Silva, representante dos desmobilizados, seis antigos guerrilheiros foram atingidos por disparos da UIR, dois dos quais se encontram em estado grave.
“Temos um colega ainda hospitalizado, perdeu o glóbulo ocular depois de ser atingido no rosto. Outro foi baleado na perna e mal consegue andar”, declarou Silva ao MOZTIMES.
Os feridos mais graves só receberam socorro médico mais de duas horas depois, e alguns foram submetidos a tratamento básico ainda na 18.ª Esquadra, no bairro do Lhanguene, onde todos os detidos permaneceram durante dois dias sem alimentação adequada nem acesso a água potável.
“Só comemos na quinta-feira à tarde, quando fomos libertos. Passámos fome e sede, vivendo de bolachas e sumos comprados do lado de fora da esquadra”, contou Silva.
Os desmobilizados denunciaram ainda que, durante a intervenção, agentes da UIR terão saqueado computadores, telemóveis, mochilas e dinheiro. Um dos membros afirma ter perdido 69 mil meticais, e o grupo estima que os prejuízos totais ultrapassam os 500 mil meticais.
Após a libertação, por volta das 17 horas de quinta-feira, os desmobilizados foram instruídos a comparecer no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo na manhã seguinte. Contudo, ao chegarem ao local, foram informados de que não havia qualquer processo ou audiência marcada.
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