- Chefe de Operações da Marinha de Guerra em Cabo Delgado confirma ocorrência, mas sem detalhes
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Militares da Marinha de Guerra de Moçambique são acusados de ter morto 13 pescadores na manhã deste domingo (15), na zona de Nsiri Siri, próxima da aldeia Kalugo, a sul da vila de Mocímboa da Praia.
Os pescadores, em número ainda não confirmado, encontravam-se em três embarcações a exercer actividades pesqueiras quando apareceram, numa pequena embarcação, militares identificados como da Marinha de Guerra de Moçambique, inicialmente sem sinais de hostilidade.
Uma fonte local, vizinho de um dos pescadores que estava numa das embarcações atacadas, relatou que no local havia três embarcações de pesca, com pescadores a realizar a actividade.
“Quando os militares chegaram, apenas saudaram e perguntaram de onde vinham, e os pescadores responderam que saíam de Mocímboa da Praia. Passado algum tempo, os membros das Forças de Defesa e Segurança seguiram o seu caminho, mas, cerca de 50 a 100 metros depois, regressaram com muita violência, disparando contra os pescadores”, contou a fonte.
Na sequência do ataque, 13 mortos foram confirmados ainda ontem, além de três feridos graves e de outros três que escaparam sem ferimentos. Há relatos de muitos outros desaparecidos.
“Uma das vítimas disse que, inicialmente, não havia preocupação; pensava-se que eram bons militares. Mas depois começaram a disparar contra pescadores indefesos. Aqui tivemos informação com base num sobrevivente. Estou chocado”, contou uma fonte.
“Um dos feridos conseguiu receber primeiros socorros de militares ruandeses em Lucheti, mas sobre as outras duas embarcações não sabemos”, disse outra fonte.
Uma fonte hospitalar da vila costeira de Mocímboa da Praia contou ao MOZTIMES que um certo número de pescadores se encontrava em tratamento, no princípio da noite deste domingo, no hospital rural de Mocímboa da Praia, mas que, devido ao estado de saúde, seriam evacuados para o hospital rural de Mueda ou para o Hospital Provincial na cidade de Pemba.
“Até ao momento, quatro pessoas foram transferidas daqui de Mocímboa da Praia para Pemba. Têm balas no corpo e, localmente, não foi fácil removê-las”, contou a mesma fonte.
O MOZTIMES contactou o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional, o Chefe de Relações Públicas do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e o Chefe de Operações da Marinha de Guerra de Moçambique em Cabo Delgado. Todos confirmaram ter conhecimento da ocorrência, mas nenhum deles aceitou prestar declarações por falta de autorização.
O Chefe das Operações da Marinha de Guerra em Cabo Delgado, Nelson Machai, disse em contacto telefónico que teve informação da ocorrência em Kalugo, mas ainda aguarda mais detalhes dos seus colegas no terreno.
“Agora estou em Pemba. Soube deste incidente dos meus colegas, mas não tenho detalhes. Tem havido problemas de comunicação. Mas também acho que não sou a pessoa indicada para falar deste assunto para a imprensa. Eu reporto para o meu chefe. Melhor falar com o comandante da Marinha, em Maputo”, disse o capitão-de-mar-e-guerra.
Ler também: Marinha da Guerra intensifica patrulha na costa de Mocímboa da Praia e Macomia
Na semana passada reportámos que, ao longo da costa de Mocímboa da Praia e Macomia, a Marinha de Guerra estava a intensificar operações marítimas para conter os insurgentes, que há dias usaram a mesma área para se deslocar às ilhas e aldeias de Macomia e Mocímboa da Praia, onde compraram ou saquearam produtos alimentares.
Este incidente de Kalugo parece resultar dessas operações que, no entanto, em vez de neutralizar os insurgentes, estão a atingir pescadores inocentes.
Na terça-feira da semana passada, a população da aldeia Ingoane, na localidade de Pangane, posto administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, reportou o desaparecimento de um pescador local que saíra à pesca na companhia de um colega.
Conta-se que os dois estavam a exercer a sua actividade pesqueira numa área não distante da aldeia Ingoane quando, de repente, notaram a aproximação de uma embarcação da Marinha de Guerra de Moçambique.
Conhecendo experiências anteriores, um dos pescadores lançou-se ao mar e nadou em direcção ao continente, alcançando terra firme.
O seu colega, de nome Muera Nchina, permaneceu na embarcação, está desaparecido e não se sabe o que terá acontecido depois, se foi capturado ou morto por membros das forças. A sua embarcação também não foi localizada até esta sexta-feira.
Uma outra fonte salientou que, para além de realizar patrulhamentos constantes, a Marinha moçambicana fixou-se em três pontos estratégicos entre as aldeias costeiras dos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia. (MT)















