- Venâncio Mondlane convocou manifestações populares de contestação da fraude eleitoral e instruiu os seus apoiantes para se defenderem da violência policial.
Por Sheila Nhancale, Neusa Chiunguete e Noemia Mendes
Maputo (MOZTIMES) - A Polícia em Moçambique anunciou a abertura de um processo-crime contra o candidato presidencial da oposição, Venâncio Mondlane, acusando-o de ser autor moral de uma série de manifestações “ilegais e violentas” em várias partes do país. Mondlane encontra-se fugitivo há uma semana, desde que foi atacado por granadas de gás lacrimogénio disparadas pela Polícia.
A abertura do processo-crime seguiu-se a confrontos graves entre a polícia e população, ocorridos no domingo passado em Chalaua, distrito de Moma, província de Nampula. Os conflitos resultaram em “21 membros da Polícia feridos, um óbito, dois membros da PRM sequestrados, três viaturas vandalizadas, duas residências e um posto policial queimados”, disse o porta-voz nacional da Polícia, Orlando Mudumane, que falava em conferência de imprensa na noite desta segunda-feira, na capital Maputo.
Segundo Orlando Mudumane as manifestações violentas foram "em resposta aos apelos que o cidadão Venâncio Mondlane tem feito, aberta e dolosamente, aos seus simpatizantes para promoverem tais actos".
Mudumane explicou que o caso de Chalaua se deu quando houve colisão entre apoiantes do partido PODEMOS (que apoiou a candidatura de Venâncio Mondlane) e do partido no poder, a FRELIMO. Quando a Polícia tentou acudir, "os membros do PODEMOS agrediram a Polícia com força, e, além disso, incendiaram a viatura operativa e o posto policial, a sede do partido FRELIMO e a residência do seu secretário”.
"A Policia condena a convocação de manifestações ilegais, caracterizadas pelo uso de menores para saquear, queimar pneus, incendiar viaturas, bloquear acessos, bem como o uso de engenhos explosivos de fabrico caseiro", disse Mudumane.
A polícia exigiu a devolução de uma arma de fogo do tipo AK47, supostamente roubada durante o ataque ao posto policial de Chalaua pelos membros e simpatizantes do PODEMOS, e comparou estes actos a “práticas terroristas".
Os confrontos entre a Polícia e os manifestantes são frequentes e a polícia tem mostrado incapacidade de lidar com os manifestantes de forma pacífica, recorrendo, muitas vezes, à violência brutal, como o uso de armas de fogo e de granadas de gás lacrimogênio contra os manifestantes o que tem gerando mortes e feridos.
No sábado anterior aos acontecimentos de Moma, agentes da Polícia abriram fogo contra simpatizantes do PODEMOS quando estes disputavam o mesmo espaço com simpatizantes do partido no poder, do distrito de Mecanhelas, província do Niassa. Deste incidente, pelo menos quatro pessoas foram gravemente feridas por balas reais disparadaspela Polícia.
Mudumane não quis falar do incidente de Mecanhelas. Depois de ler o comunicado sobre as ocorrências de Moma, saiu da sala de imprensa sem responder às perguntas de jornalistas. (SN, NC e NM)















