Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – A companhia aérea sul-africana Airlink suspendeu temporariamente os seus voos para Nampula devido a uma disputa legal envolvendo a ameaça de apreensão das suas aeronaves em Moçambique.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira, através de um comunicado em que a companhia denunciou as tentativas de apreensão das suas aeronaves em solo moçambicano, no Aeroporto de Nampula, após um incidente ocorrido a 7 de Dezembro de 2024. Este episódio levou à emissão de uma ordem judicial provisória por um tribunal moçambicano, que autorizava a apreensão das aeronaves da Airlink.
Segundo o comunicado, a disputa teve origem quando dois passageiros moçambicanos exibiram comportamento indisciplinado e ameaçador durante um voo da Airlink no Aeroporto de Joanesburgo.
“A decisão de cancelar as operações de hoje para Nampula surge na sequência de um pedido de indemnização apresentado no Tribunal de Moçambique por dois passageiros moçambicanos, que foram desembarcados de um voo da Airlink em Joanesburgo”, explicou a empresa.
Em resposta ao incidente, os passageiros apresentaram uma acção judicial contra a Airlink, exigindo a apreensão das suas aeronaves em Moçambique e compensações por danos. A 28 de Dezembro de 2024, um tribunal moçambicano emitiu uma ordem provisória para a apreensão de pelo menos três aeronaves da companhia, embora a tentativa de apreensão no Aeroporto de Nampula não tenha sido bem-sucedida.
A Airlink contratou assessoria jurídica em Moçambique e contestou a ordem, alegando que os tribunais locais não possuem jurisdição sobre aeronaves registadas na África do Sul. “Dada a ameaça de apreensão e o potencial de apreensão efetiva das aeronaves da Airlink, suspendemos todas as operações de e para Nampula enquanto o caso é tratado por vias legais e diplomáticas”, justificou a companhia.
Em comunicado, o CEO da Airlink, Rodger Foster, reiterou o compromisso da empresa com a segurança dos seus passageiros e tripulantes. “Adotamos uma política de tolerância zero a comportamentos indisciplinados, pois comprometem a segurança de todos os envolvidos”, afirmou.
A companhia aérea suspendeu os voos como medida preventiva, considerando o risco de apreensão e a instabilidade jurídica. A Airlink assegurou que os passageiros afetados serão reembolsados ou realocados em outros destinos no país, como Maputo, Beira ou Vilanculos.
Apesar da disputa legal, Foster reafirmou a intenção de resolver o impasse por vias legais e diplomáticas. “Estamos empenhados em resolver a questão através de mecanismos legais e diplomáticos”, concluiu. (NM)
















