- Maior associação empresarial de Moçambique considera insuficientes as medidas anunciadas pelo Banco de Moçambique para a retoma da economia
Por Aurélio Muianga
Maputo (MOZTIMES) – A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que as medidas anunciadas esta segunda-feira pela Comissão Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BdM) são insuficientes para estimular a recuperação da economia, que continua fragilizada pela tensão pós-eleitoral.
Segundo Paulo Oliveira, presidente do Pelouro de Serviços de Comunicação e Informação da CTA, a expectativa era que as medidas do Banco Central incluíssem a aplicação de moratórias pelos bancos comerciais, permitindo um alívio temporário das exigências prudenciais, como os limites para a constituição de provisões, imparidades e créditos vencidos.
"Essa seria uma abordagem ideal para dar aos bancos comerciais margem para renegociar os termos de pagamento dos créditos com as empresas afectadas pelas manifestações pós-eleitorais", afirmou Oliveira em conferência de imprensa esta terça-feira.
Outra expectativa do sector empresarial era a retoma temporária da disponibilização de divisas ao mercado, num montante equivalente a pelo menos 50% das facturas de importação de combustíveis, acrescentou Oliveira.
"No Mercado Cambial Interbancário, a liquidez continua baixa e as fontes de financiamento são limitadas", explicou Oliveira. Segundo ele, "o Banco de Moçambique sugou moeda externa do mercado através das Reservas Obrigatórias, estimadas em 1,8 mil milhões de dólares, e cerca de 2,1 mil milhões de dólares em 2024, para reforçar as reservas internacionais".
Para a CTA, a falta de liquidez em moeda estrangeira pode dificultar o processo de importação de equipamentos e acessórios para as empresas afectadas pelas manifestações, atrasando a retoma das actividades produtivas.
A confederação empresarial criticou ainda a prioridade dada pelos bancos comerciais ao financiamento dos Bilhetes do Tesouro em detrimento dos empresários.
A CTA defende a introdução de incentivos na política monetária para estimular os bancos a financiarem os sectores primário e secundário, com especial destaque para a agricultura e a indústria transformadora. (AM)















