– Milícias locais tentam travar invasões a aldeias sem grande sucesso
– Governo prepara resposta militar para estabilizar Chiúre, incluindo envio de forças a partir de Maputo
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Grupos insurgentes continuam a realizar ataques no distrito de Chiúre, sul de Cabo Delgado, sem grande oposição das Forças de Defesa e Segurança.
Na noite desta segunda-feira, os jihadistas atacaram e incendiaram casas na aldeia de Melija, na localidade de Samora Machel, Posto Administrativo de Ocua. O grupo entrou na aldeia por volta das 19 horas, disparou durante quase uma hora para dispersar os moradores e, após a população abandonar o local, incendiou residências e estabelecimentos comerciais.
A única resistência encontrada pelos insurgentes tem sido das milícias locais. A invasão a Melija foi antecedida por confrontos entre os atacantes e os Namparamas, uma milícia comunitária que tentou impedir a entrada do grupo armado na aldeia. Pelo menos dois membros da milícia ficaram feridos antes de fugirem, deixando a aldeia desprotegida.
Segundo fontes locais, os insurgentes chegaram ao Posto Administrativo de Ocua no domingo (27), dias após realizarem ataques em Chiúre Velho. O grupo atravessou as aldeias de Nacivar e Mahipa, nas imediações da vila-sede, prosseguindo até Napela e Nivussakove sem qualquer confronto com as Forças de Defesa e Segurança.
Em Nivussakove, os atacantes invadiram um estabelecimento comercial, saquearam mantimentos e mantiveram um casal e os seus filhos como reféns durante cerca de três horas.
Os ataques mais recentes têm provocado o deslocamento de centenas de famílias, que se refugiam em aldeias vizinhas em busca de segurança.
O Governo, a partir de Maputo, está a preparar uma intervenção para conter a insurgência, incluindo o envio de forças para Chiúre. No entanto, causa estranheza a ausência de uma resposta envolvendo o destacamento de tropas do Ruanda, como ocorreu em ocasiões anteriores.
Fontes de segurança explicam que a prioridade do Governo tem sido garantir a segurança dos distritos do norte da província, nomeadamente Palma e Mocímboa da Praia, devido à sua proximidade com os projectos de exploração de gás. Deslocar forças ruandesas para o sul poderia deixar esses distritos desguarnecidos, numa altura em que a TotalEnergies se prepara para levantar a declaração de força maior e retomar as obras de construção em Afungi, com vista à exploração e liquefacção de gás natural. (MT)















