- Insurgentes atacaram o bairro Filipe Nyusi, na parte sul da vila, sem resposta imediata das forças do Governo
- Chefe do Governo do Distrito confirma o ataque e afirma que as Forças de Defesa e Segurança estão a perseguir os atacantes
Por MOZTIMES
Pemba (MOZTIMES) – Insurgentes atacaram, na noite deste domingo (7), a vila-sede de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, matando pelo menos seis pessoas no bairro Filipe Nyusi, na zona sul do distrito, confirmaram várias fontes locais.
É a primeira vez que os insurgentes atingem um bairro da vila-sede de Mocímboa da Praia desde que foram expulsos em Agosto de 2021, com a intervenção das Forças de Defesa e Segurança. O ataque representa uma séria ameaça à estabilidade da região, onde se localizam os projectos de exploração de gás.
Uma fonte militar disse ao MOZTIMES que “o inimigo está nas nossas barbas” e acrescentou que a pronta intervenção das Forças de Defesa e Segurança impediu a entrada dos insurgentes no centro da vila.
Segundo moradores, a acção dos insurgentes iniciou por volta das 23 horas e prolongou-se até à meia-noite, já na madrugada desta segunda-feira (8).
De acordo com moradores, desde o início dos tiroteios a vila ficou em alvoroço. Parte da população abandonou as suas casas, enquanto outros permaneceram por perto, mas sem coragem de ficar dentro delas.
“Na verdade, estamos aflitos. Há forte tiroteio no lado sul de Mocímboa da Praia. Acho que queriam entrar”, disse um residente do bairro Unidade, que pediu anonimato. “O pior é que coincide com a festa do Acordo de Lusaka, como aconteceu com o Dia da Paz daquele ano (2017). Por isso tudo está tenso”, acrescentou.
Segundo relatos, disparos foram ouvidos em dois momentos distintos: nos últimos minutos da hora 23 e novamente por volta da meia-noite.
“Foram dois momentos de intenso tiroteio. Neste momento (1h) está tudo mais calmo, mas antes disso todos saíram das suas casas. Alguns estão escondidos no mato”, contou outro morador.
“Estávamos a dormir, mas, de repente, a criança acordou-nos a dizer que havia guerra. Ouvimos muito tiroteio e, por isso, estamos fora de casa”, relatou uma residente do bairro Nanduadua.
A mesma fonte referiu ainda que, no sábado, os insurgentes entraram em confronto com as milícias da Força Local na zona baixa do posto administrativo de Diaca. Durante a troca de tiros, além de sofrerem baixas, os insurgentes mataram um membro da Força Local.
O Chefe do Governo de Mocímboa da Praia, Sérgio Cipriano, confirmou à imprensa local o ataque de insurgentes ao bairro Filipe Nyusi e acrescentou que as Forças de Defesa e Segurança estão a perseguir os atacantes.
A vila de Mocímboa da Praia já foi atacada e ocupada temporariamente por insurgentes em quatro ocasiões. A primeira vez foi em Outubro de 2017, dando início ao conflito que dura há já oito anos. Depois, os insurgentes voltaram a atacar e ocupar a vila em Março, Junho e Agosto de 2020. Na última ocupação permaneceram por cerca de um ano, até serem expulsos com a intervenção das tropas do Ruanda, em Agosto de 2021. Desde então, a vila tem sido considerada segura, protegida por grandes contingentes militares de Moçambique e do Ruanda.
No entanto, a zona sul do distrito de Mocímboa da Praia continua vulnerável à circulação de insurgentes, servindo de ponto estratégico para planear incursões tanto para o sul como para o norte, sobretudo em direcção às ilhas na foz do rio Messalo.
Na semana passada, moradores relataram movimentações insurgentes numa área entre a localidade de Oasse e a vila de Mocímboa da Praia, além de ataques recentes em aldeias do distrito de Palma, que faz limite com Mocímboa da Praia. (MT)















