- Fatalidades de civis por ataques terroristas aumentaram significativamente em 2024
- 16% das escolas e 21% das unidades de saúde estão encerradas
Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) — Cerca de 540.000 crianças na província de Cabo Delgado precisam urgentemente de protecção infantil. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta que Moçambique enfrenta uma grave crise humanitária que afecta mais de 4,8 milhões de pessoas.
De acordo com o relatório da UNICEF sobre Acção Humanitária em Favor das Crianças — 2025, as violações graves dos direitos das crianças aumentaram significativamente nos primeiros seis meses de 2024 em comparação com o mesmo período de 2023.
Em Cabo Delgado, "as violações graves dos direitos das crianças aumentaram em 400% nos primeiros seis meses de 2024 em comparação com todo o ano de 2023, e houve um aumento de 300% nas fatalidades civis na primeira metade de 2024 em relação à segunda metade de 2023", afirmou a organização.
Além disso, o relatório indica que factores como a vulnerabilidade de crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e mulheres ao abuso, exploração, violência e sofrimento psicossocial contribuíram para o aumento do número de afectados em 2024.
"O país enfrenta uma combinação de conflitos armados, desastres climáticos e surtos de doenças, que colocam em risco a segurança e os direitos de milhões de crianças", acrescenta a UNICEF.
Os ataques de insurgentes em Cabo Delgado, que já resultaram em mais de 1,3 milhão de pessoas deslocadas internamente, têm agravado a vulnerabilidade das crianças, tornando-as mais expostas ao abuso, exploração e violência.
"Num país onde as crianças representam 52% da população, o conflito na província de Cabo Delgado continua a devastar comunidades. Mais de 1,3 milhão de deslocados internos, retornados e pessoas afectadas pelo conflito necessitam de assistência", afirma o relatório.
Além dos impactos diretcos do conflito, a escassez de serviços básicos, como educação e saúde, agrava a situação. A UNICEF refere que 16% das escolas e 21% das unidades de saúde estão encerradas, deixando muitas crianças sem acesso à educação e aos cuidados médicos essenciais.
"A insegurança alimentar é uma preocupação crescente, com cerca de 3,3 milhões de pessoas, incluindo 144.270 crianças menores de cinco anos, em risco de desnutrição severa devido à seca e à redução das colheitas", acrescenta.
Segundo o relatório, as crianças também estão expostas ao risco de surtos de doenças como sarampo, cólera e poliomielite, o que exige intervenções urgentes de vacinação e cuidados de saúde. A UNICEF apela às organizações humanitárias para aumentarem o apoio de forma a garantir que as crianças recebam a proteção e os serviços essenciais para sobreviverem e se desenvolverem de forma segura.
"O país enfrenta uma crise multifacetada, e o apoio internacional continua a ser crucial para enfrentar os desafios e proteger os grupos populacionais mais vulneráveis", conclui a UNICEF. (NM)















