Por Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – A RENAMO enfrenta uma crise interna que se agravou desde 15 de Maio, quando antigos combatentes começaram a ocupar a sede nacional do partido, em Maputo. Os desmobilizados exigem a saída do presidente Ossufo Momade, acusando a direcção de ignorar compromissos assumidos no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) e de afastar-se das bases do partido.
A situação já levou ao encerramento de delegações da RENAMO em várias províncias, como Nampula, Zambézia, Gaza, Inhambane e Matola. Nas zonas controladas pelos manifestantes, as actividades partidárias foram suspensas e apelam ao boicote das iniciativas da actual direcção.
Para tentar resolver o conflito, a Comissão Política da RENAMO orientou, nesta sexta-feira, a Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia (ACOLDE) a convocar uma Conferência Nacional para debater a situação interna do partido e encontrar soluções. A data da conferência ainda não foi anunciada.
O porta-voz da Comissão Política, Saíde Fidel, disse que o diálogo será fundamental para ultrapassar a crise. “O caminho para resolver este problema é o diálogo, que será realizado nesta conferência prevista”, declarou, evitando comentar o pedido de afastamento de Ossufo Momade, eleito em congresso.
Do lado dos desmobilizados, o porta-voz João Machava afirmou ao MOZTIMES que vão manter a ocupação das sedes enquanto Momade continuar na liderança. “Vamos manter as sedes ocupadas até que ele saia”, afirmou, acrescentando que o grupo tem recebido novos membros diariamente.
Os antigos combatentes também criticam a ACOLDE, acusando-a de não representar os interesses dos desmobilizados.
Desde a morte do líder Afonso Dhlakama, em 2018, a RENAMO enfrenta dificuldades internas. A poucos meses das eleições gerais, esta crise pode afectar a unidade e o posicionamento do partido na política moçambicana. (NM)















