- Governo de Ruanda ameaça retirar suas tropas de Cabo Delgado caso a União Europeia pare de financiar o destacamento em Maio próximo
- Chapo vai a Bruxelas pedir continuidade do apoio da União Europeia no combate ao terrorismo, afirma ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria dos Santos Lucas
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – O presidente Daniel Chapo iniciou, no sábado, 14, uma visita a Bruxelas, capital da Bélgica e sede da União Europeia (UE), tendo como um dos principais objectivos solicitar a continuidade do apoio da UE no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
Em Bruxelas, Chapo vai encontrar-se com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a vice-presidente da Comissão Europeia e Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Javi López, entre outros dirigentes, refere um comunicado da Presidência da República enviado por e-mail. Chapo também será recebido pelo rei Philippe da Bélgica.
“É o sítio certo para a Sua Excelência [Daniel Chapo] estar neste momento, sobretudo porque temos de pedir apoio para a continuação da missão da União Europeia de capacitação das nossas Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo”, disse a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, a jornalistas que acompanham a delegação presidencial.
O apoio da União Europeia em Cabo Delgado iniciou-se em 2021, com a formação de cerca de 1 600 militares moçambicanos especializados no combate ao terrorismo, que ficaram conhecidos como a Força de Reação Rápida (QRF, em inglês). A União Europeia doou também material não bélico destinado ao combate ao terrorismo, incluindo viaturas.
O apoio foi renovado dois anos depois e inclui várias formações de curta duração dirigidas a dirigentes e agentes de diferentes agências de aplicação da lei envolvidas no combate ao terrorismo. Todo o apoio foi avaliado em cerca de 89 milhões de euros, financiados através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.
No entanto, o apoio europeu termina em Junho deste ano. “Depois disso terá que ser renovado. Temos toda a indicação [da continuidade] do apoio para Moçambique nesta área”, disse a ministra Maria dos Santos Lucas.
Ruanda ameaça retirar suas tropas de Cabo Delgado
Entretanto, no mesmo dia em que Chapo chegou a Bruxelas, membros do Governo de Ruanda publicaram no X (antigo Twitter) que o seu país vai retirar as tropas destacadas em Cabo Delgado, caso não seja assegurado financiamento sustentável.
A União Europeia é a única entidade que publicamente assume o financiamento das tropas do Ruanda em Cabo Delgado.
“Não é que ‘Ruanda poderia retirar-se’, é que ‘Ruanda VAI retirar’ as suas tropas de Moçambique, caso não seja assegurado financiamento sustentável para as suas operações de combate ao terrorismo em Cabo Delgado”, escreveu o Ministro de Relações Exteriores do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, numa das várias publicações que fez na sua conta no X sobre o assunto.
“Não pagámos centenas de milhões de dólares e os nossos soldados das RDF não fizeram o sacrifício supremo para estabilizar esta região, permitir que os deslocados internos regressem às suas casas, que as crianças voltem à escola, que os negócios reabram e que os mega-investimentos em LNG sejam retomados, apenas para ver os nossos valorosos soldados constantemente questionados, vilipendiados, criticados, culpabilizados ou sancionados pelos próprios países que tanto beneficiam da nossa intervenção em Moçambique”, continua a publicação.
A União Europeia aprovou até aqui 40 milhões de euros para financiar o destacamento de cerca de 5 000 soldados e policiais ruandeses para Cabo Delgado.
Segundo apurado, este valor não é transferido às contas do Governo do Ruanda. É pago a fornecedores de bens e serviços utilizados pela missão da RDF em Cabo Delgado, mediante a apresentação de facturas pelo Ministério das Finanças do Ruanda.
O papel primário das forças do Ruanda é estabilizar os distritos de Palma e Mocímboa da Praia, importantes para a logística da indústria do gás natural liquefeito, cujo principal mercado é a Europa.
Entretanto, a agência de notícias financeiras Bloomberg reportou na semana passada que o apoio da União Europeia ao destacamento das forças do Ruanda em Cabo Delgado termina em Maio próximo e pode não ser renovado.
No mês passado, o Governo dos EUA aprovou sanções contra as Forças de Defesa do Ruanda e quatro de seus comandantes, pelo seu alegado envolvimento na guerra no leste do Congo, onde são acusados de apoiar a milícia M23.
Ler também: Governo de Trump impõe sanções às Forças de Defesa do Ruanda
As sanções norte-americanas podem impedir a União Europeia de continuar a financiar a missão das Forças de Defesa do Ruanda em Cabo Delgado.
Até aqui, o Governo de Moçambique ainda não comentou o assunto, mas certamente estará no centro da agenda do presidente em Bruxelas, cuja visita termina no dia 18. (MT)















