- Analistas dizem que a oposição sai mais fragilizada e corre o risco de desaparecer
Por Aurélio Muianga e Noémia Mendes
Maputo (MOZTIMES) – Após 17 dias de boicote à cerimónia oficial, os deputados dos dois partidos tradicionais da oposição, a Renamo e o MDM, tomaram posse na Assembleia da República (AR) nesta quarta-feira. A cerimónia inicial, realizada no dia 13 de Janeiro, havia contado apenas com os deputados da Frelimo, no poder, e do PODEMOS, formado por dissidentes da Frelimo.
O porta-voz da Renamo, Arnaldo Chalaua, justificou a ausência inicial dos deputados como um protesto contra a fraude eleitoral e a repressão violenta contra manifestantes. “Não havia condições morais nem éticas para tomar posse em meio a um banho de sangue”, afirmou o deputado. “Teríamos traído a confiança do povo. As eleições de 9 de Outubro foram uma miragem”, acrescentou, reiterando que a Renamo pretende lutar por mudanças e por maior transparência na fiscalização da acção governamental.
O porta-voz do MDM, Fernando Bismarque, explicou que, ao recusar-se a tomar posse inicialmente, o objectivo do grupo parlamentar era demonstrar insatisfação com os resultados das eleições e com a violência que se seguiu. “Entretanto, a lei permite que os deputados ausentes tomem posse dentro de 30 dias. Ouvir o povo significa também assumir o nosso papel na Assembleia da República”, afirmou.
Com a tomada de posse dos deputados dos partidos tradicionais da oposição, o antigo candidato presidencial, Venâncio Mondlane, fica isolado na contestação aos resultados das eleições, e a oposição no seu todo sai mais fragilizada, consideram analistas.
“O MDM e a Renamo estavam a tentar marcar um ponto político, mas sabiam que não poderiam manter-se fora do Parlamento”, afirmou Gabriel Ngomane, analista político, em entrevista. “A realidade é que, nos últimos dez anos, os partidos da oposição foram muito apagados. Se não forem mais activos nos próximos cinco anos, arriscam-se a desaparecer”, acrescentou Ngomane.
O sociólogo João Feijó concorda que a oposição está fragilizada e afirma que o seu papel é apenas simbólico. “O partido no poder não precisa da oposição para nada. Vai manter a sua postura arrogante, aprovar os projectos de lei que quiser e continuar sem prestar contas. Não há nada que a Renamo e o MDM possam fazer para impedir isso”, referiu em entrevista.
A Frelimo ocupa 171 assentos dos 250 que compõem o Parlamento unicameral de Moçambique. Isso confere ao partido no poder há 50 anos, uma maioria de 2/3, que lhe permite aprovar todas as leis e programas de governo, independentemente do posicionamento dos partidos da oposição. (AM/NM)















