- O grupo ordena também o afastamento da secretária-geral, Clementina Bomba, e de outros quadros do partido
- Há desconfiança de que maior parte dos que se beneficiaram do DDR não sejam ex-guerrilheiros da Renamo
Por António Cumbane
Maputo (MOZTIMES) - Um grupo de ex-guerrilheiros da Renamo tomou de assalto, ontem, as sedes provinciais e nacionais daquele partido na cidade de Maputo, exigindo o afastamento do seu presidente, Ossufo Momade, da secretária-geral, Clementina Bomba, e de outros quadros.
A revolta deve-se aos maus resultados que Ossufo Momade e a Renamo obtiveram nas últimas eleições gerais, o que gerou um clima de desgosto e de tensão aos membros daquela que até então era considerada a maior força política da oposição em Moçambique.
O grupo, que pernoitou nas instalações da sede nacional da Renamo, chegou a encerrar as portas do edifício parando todas as actividades da instituição. A Polícia foi mobilizada ao local para amainar os ânimos e conter a fúria dos revoltados que se encontravam amotinados.
A Renamo conseguiu nas últimas eleições apenas 5% dos votos. Dos 60 deputados que tinha reduziu para 20 na próxima legislatura. O partido PODEMOS, que suporta a candidatura de Venâncio Mondlane, ocupou a vaga da Renamo ao receber 20 % dos votos.
“Exigimos a retirada do Ossufo Momade por causa dos maus resultados. Ele criou muitas divisões no seio do partido e o povo já não lhe quer” afirmou um representante do grupo em entrevista ao MOZTIMES, falando na condição de anonimato. “Há desconfiança de que maior parte das pessoas que se beneficiaram do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) não são ex-guerrilheiros da Renamo. Queremos que ele apresente uma lista nominal”, acrescentou.
O grupo impõe ainda a realização de uma sessão do Conselho Nacional da Renamo até 31 de Dezembro deste ano, na qual Ossufo Momade deverá deixar o seu cargo à disposição. “Isto tem que acontecer este ano para dar espaço de realização de um congresso no próximo ano”, disse o nosso entrevistado
A direção máxima da Renamo já reagiu. Hoje, em conferência de imprensa, o porta-voz indicado para o efeito, Momade Yassin, reconheceu a contestação dos ex-guerrilheiros. “Eu acho que esta é uma situação que não era tão difícil de se resolver. Era apenas sentarmos com os nossos mais velhos militares, compreender as suas exigências e vermos como isto pode ser ultrapassado”, disse Yassin.
Desde a sua reeleição como presidente da Renamo, Ossufo Momade tem vindo a ser contestado. (AC)















