Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – Segundo uma notícia publicada esta segunda-feira pelo jornal britânico “Financial Times”, o Governo do Reino Unido tenciona retirar o financiamento ao projecto de Gás Natural Liquefeito (LNG) de Moçambique, liderado pela petrolífera francesa TotalEnergies.
O Governo britânico havia prometido um empréstimo equivalente a 1,15 mil milhões de dólares norte-americanos para o projecto, que está paralisado desde o ataque terrorista de Março de 2021, que obrigou a TotalEnergies a declarar o estado de força maior.
A Total levantou a força maior em Outubro, mas o empréstimo britânico encontra-se agora seriamente em dúvida. O “Financial Times” escreve que o Ministro britânico da Economia, Peter Kyle, deverá fazer uma declaração sobre o projecto nesta segunda-feira, sendo que pessoas familiarizadas com o assunto afirmam que ele irá retirar o apoio financeiro à exportação destinado ao projecto.
A TotalEnergies sinalizou que uma eventual retirada do financiamento britânico dificilmente irá travar o investimento de 20 mil milhões de dólares, que conta com o apoio de outros governos, incluindo os Estados Unidos e o Japão. Contudo, a decisão constitui um revés para a Total e outras empresas envolvidas, como a japonesa Mitsui.
O empréstimo da UK Export Finance (UKEF), uma agência governamental, foi acordado em 2020, mas tem sido contestado por grupos ambientalistas e de direitos humanos. O anterior Governo Conservador, liderado pelo hoje desacreditado Boris Johnson, introduziu medidas para acabar com o financiamento de projectos de combustíveis fósseis no estrangeiro pouco depois de o Reino Unido ter concordado em apoiar o projecto.
No entanto, o actual Governo britânico, do Partido Trabalhista, tem procurado formas de se desvincular do acordo. No início deste ano, o Financial Times revelou que o Governo pediu pareceres jurídicos para avaliar a possibilidade de abandonar o compromisso financeiro.
O financiamento à exportação destina-se a apoiar projectos internacionais considerados de interesse para o Reino Unido. A empresa britânica de energia e serviços Centrica está entre as que deverão comprar gás do projecto Mozambique LNG, e empresas subcontratadas britânicas também estão envolvidas.
Patrick Pouyanné, director-executivo da TotalEnergies, afirmou em Fevereiro que estava “pronto para exercer todos os meus direitos contratuais” caso as agências de crédito à exportação não honrassem os seus compromissos. Para além do Reino Unido, o Governo holandês também está a rever o seu apoio ao projecto.
Pouyanné disse a analistas que o financiamento estava “de volta aos trilhos” depois de os Estados Unidos terem aprovado, em Março, a libertação de quase cinco mil milhões de dólares em financiamento.
Em Outubro, a TotalEnergies solicitou ao Governo moçambicano a aprovação de custos adicionais de 4,5 mil milhões de dólares, supostamente incorridos durante o período de força maior, e pediu ainda a extensão do prazo do projecto por mais uma década.
O Governo rejeitou a extensão de dez anos, mas ainda não respondeu ao pedido dos 4,5 mil milhões de dólares em custos adicionais. (MT)















