- É a primeira vez que o Chefe de Estado anuncia prazos publicamente para o levantamento da força maior
- Prevalência de ataques em Cabo Delgado e processo judicial nos EUA podem interferir negativamente nos prazos
Por MOZTIMES
Maputo (MOZTIMES) – O Presidente Daniel Chapo afirmou, em entrevista concedida à imprensa japonesa na semana passada, que a TotalEnergies deverá retomar as obras de construção da planta de liquefação do projecto Mozambique LNG já em Setembro. As obras estão suspensas desde Abril de 2021, na sequência do ataque de insurgentes islamistas à vila de Palma, situada a cerca de 10 quilómetros da península de Afungi, onde decorriam as actividades.
Chapo falou ao jornal Nikkei Asia, em Tóquio, durante a sua participação na TICAD 9 – Tokyo International Conference on African Development. O presidente é citado a afirmar que “pensamos que neste mês de Agosto vamos deixar tudo pronto para que o projecto possa recomeçar”, apontando Setembro como prazo para o reinício.
Há anos que a retoma das obras do Mozambique LNG é anunciada, mas quer a TotalEnergies quer o Governo de Moçambique têm evitado fixar datas concretas. Esta é a primeira vez que um prazo público e específico é estabelecido.
Entretanto, enquanto Chapo prometia a retoma do projecto, militantes jihadistas realizavam novos ataques no distrito de Palma, ameaçando comprometer os planos. Em meados de Agosto, aldeias de Maputo e Zâmbia, a cerca de 30 quilómetros a sul de Afungi, foram alvo de incursões armadas. Desde a libertação da vila de Mocímboa da Praia em Agosto de 2021, com o apoio das tropas do Ruanda, não se registavam ataques tão próximos da península. Até então, a violência concentrava-se em zonas mais afastadas do projecto.
Na mesma entrevista, Chapo reconheceu que a segurança é determinante, afirmando que: “estamos a trabalhar para que a segurança seja garantida e o projecto possa ser implementado.”
Além da ameaça da insurgência, o projecto enfrenta um processo judicial em Washington DC, movido por organizações ambientalistas contra o financiamento do governo norte-americano ao Mozambique LNG. Esta acção legal é outro factor que pode atrasar o calendário da TotalEnergies.
Avaliado em cerca de 20 biliões de dólares norte-americanos, o Mozambique LNG é o maior investimento directo estrangeiro de sempre em Moçambique e será o primeiro projecto de produção de gás em grande escala na Bacia do Rovuma. A suspensão prolongou a previsão do início da produção para 2029, prazo que só poderá ser cumprido se as obras efectivamente retomarem este ano.
O Mozambique LNG é quase três vezes maior do que o Coral Sul FLNG, operado pela italiana Eni, cuja produção em plataforma flutuante arrancou em Outubro de 2022. (MT)
















